26 fevereiro, 2009

A ÍNTEGRA DA ENTREVISTA DE JARBAS VASCONCELOS SOB COMENTO.

Proponho como verdadeiro "serviço de utilidade pública" a oportunidade da leitura do monstro em que se transformou este país.
À bem da verdade, este que vos fala, sob o nome fantasia de mosaico de lama, trouxe à colação neste espaço, através de seus posts, cada linha e entrelinha da representatividade desta vergonha em seu sentido mais puro, despido de qualquer fraqueza de originária parcialidade político-partidária, que faria por certo fulminar as premissas por mim traçadas e conseqüentemente minhas conclusões, concedendo o direito da dúvida quanto a minha veracidade.
Neste momento faço asseverar a imperiosidade de se fazer uma leitura do que classificaria como compêndio de uma orgia pública, de alguém que se poderia taxar como parcial, pois entre os porcos porco é, mas que absorvido pelo espírito da moralidade veio a prestar um depoimento senão esclarecedor, ao menos de efeito confirmatório de que um dos caminhos das trevas hoje passa pelo Brasil...
Confira a sua íntegra e após volto comentando:
O que representa para a política brasileira a eleição de José Sarney para a presidência do Senado?
É um completo retrocesso. A eleição de Sarney foi um processo tortuoso e constrangedor. Havia um candidato, Tião Viana, que, embora petista, estava comprometido em recuperar a imagem do Senado. De repente, Sarney apareceu como candidato, sem nenhum compromisso ético, sem nenhuma preocupação com o Senado, e se elegeu. A moralização e a renovação são incompatíveis com a figura do senador.
Mas ele foi eleito pela maioria dos senadores. Claro, e isso reflete o que pensa a maioria dos colegas de Parlamento. Para mim, não tem nenhum valor se Sarney vai melhorar a gráfica, se vai melhorar os gabinetes, se vai dar aumento aos funcionários. O que importa é que ele não vai mudar a estrutura política nem contribuir para reconstruir uma imagem positiva da Casa. Sarney vai transformar o Senado em um grande Maranhão.
Como o senhor avalia sua atuação no Senado?
Às vezes eu me pergunto o que vim fazer aqui. Cheguei em 2007 pensando em dar uma contribuição modesta, mas positiva – e imediatamente me frustrei. Logo no início do mandato, já estourou o escândalo do Renan (Calheiros, ex-presidente do Congresso que usou um lobista para pagar pensão a uma filha). Eu me coloquei na linha de frente pelo seu afastamento porque não concordava com a maneira como ele utilizava o cargo de presidente para se defender das acusações. Desde então, não posso fazer nada, porque sou um dissidente no meu partido. O nível dos debates aqui é inversamente proporcional à preocupação com benesses. É frustrante.
O senador Renan Calheiros acaba de assumir a liderança do PMDB... Ele não tem nenhuma condição moral ou política para ser senador, quanto mais para liderar qualquer partido. Renan é o maior beneficiário desse quadro político de mediocridade em que os escândalos não incomodam mais e acabam se incorporando à paisagem.
O senhor é um dos fundadores do PMDB. Em que o atual partido se parece com aquele criado na oposição ao regime militar?
Em nada. Eu entrei no MDB para combater a ditadura, o partido era o conduto de todo o inconformismo nacional. Quando surgiu o pluripartidarismo, o MDB foi perdendo sua grandeza. Hoje, o PMDB é um partido sem bandeiras, sem propostas, sem um norte. É uma confederação de líderes regionais, cada um com seu interesse, sendo que mais de 90% deles praticam o clientelismo, de olho principalmente nos cargos.
Para que o PMDB quer cargos?
Para fazer negócios, ganhar comissões. Alguns ainda buscam o prestígio político. Mas a maioria dos peemedebistas se especializou nessas coisas pelas quais os governos são denunciados: manipulação de licitações, contratações dirigidas, corrupção em geral. A corrupção está impregnada em todos os partidos. Boa parte do PMDB quer mesmo é corrupção.
Quando o partido se transformou nessa máquina clientelista?
De 1994 para cá, o partido resolveu adotar a estratégia pragmática de usufruir dos governos sem vencer eleição. Daqui a dois anos o PMDB será ocupante do Palácio do Planalto, com José Serra ou com Dilma Rousseff. Não terá aquele gabinete presidencial pomposo no 3º andar, mas terá vários gabinetes ao lado.
Por que o senhor continua no PMDB?
Se eu sair daqui irei para onde? É melhor ficar como dissidente, lutando por uma reforma política para fazer um partido novo, ao lado das poucas pessoas sérias que ainda existem hoje na política.
Lula ajudou a fortalecer o PMDB. É de esperar uma retribuição do partido, apoiando a candidatura de Dilma?
Não há condições para isso. O PMDB vai se dividir. A parte majoritária ficará com o governo, já que está mamando e não é possível agora uma traição total. E uma parte minoritária, mas significativa, irá para a candidatura de Serra. O partido se tornará livre para ser governo ao lado do candidato vencedor.
O senhor sempre foi elogiado por Lula. Foi o primeiro político a visitá-lo quando deixou a prisão, chegou a ser cotado para vice em sua chapa. O que o levou a se tornar um dos maiores opositores a seu governo no Congresso?
Quando Lula foi eleito em 2002, eu vim a Brasília para defender que o PMDB apoiasse o governo, mas sem cargos nem benesses. Era essencial o apoio a Lula, pois ele havia se comprometido com a sociedade a promover reformas e governar com ética. Com o desenrolar do primeiro mandato, diante dos sucessivos escândalos, percebi que Lula não tinha nenhum compromisso com reformas ou com ética. Também não fez reforma tributária, não completou a reforma da Previdência nem a reforma trabalhista. Então eu acho que já foram seis anos perdidos. O mundo passou por uma fase áurea, de bonança, de desenvolvimento, e Lula não conseguiu tirar proveito disso.
A favor do governo Lula há o fato de o país ter voltado a crescer e os indicadores sociais terem melhorado. O grande mérito de Lula foi não ter mexido na economia. Mas foi só. O país não tem infraestrutura, as estradas são ruins, os aeroportos acanhados, os portos estão estrangulados, o setor elétrico vem se arrastando. A política externa do governo é outra piada de mau gosto. Um governo que deixou a ética de lado, que não fez as reformas nem fez nada pela infraestrutura agora tem como bandeira o PAC, que é um amontoado de projetos velhos reunidos em um pacote eleitoreiro. É um governo medíocre. E o mais grave é que essa mediocridade contamina vários setores do país. Não é à toa que o Senado e a Câmara estão piores. Lula não é o único responsável, mas é óbvio que a mediocridade do governo dele leva a isso.
Mas esse presidente que o senhor aponta como medíocre é recordista de popularidade. Em seu estado, Pernambuco, o presidente beira os 100% de aprovação.
O marketing e o assistencialismo de Lula conseguem mexer com o país inteiro. Imagine isso no Nordeste, que é a região mais pobre. Imagine em Pernambuco, que é a terra dele. Ele fez essa opção clara pelo assistencialismo para milhões de famílias, o que é uma chave para a popularidade em um país pobre. O Bolsa Família é o maior programa oficial de compra de votos do mundo.
O senhor não acha que o Bolsa Família tem virtudes?
Há um benefício imediato e uma consequência futura nefasta, pois o programa não tem compromisso com a educação, com a qualificação, com a formação de quadros para o trabalho. Em algumas regiões de Pernambuco, como a Zona da Mata e o agreste, já há uma grande carência de mão-de-obra. Famílias com dois ou três beneficiados pelo programa deixam o trabalho de lado, preferem viver de assistencialismo. Há um restaurante que eu frequento há mais de trinta anos no bairro de Brasília Teimosa, no Recife. Na semana passada cheguei lá e não encontrei o garçom que sempre me atendeu. Perguntei ao gerente e descobri que ele conseguiu uma bolsa para ele e outra para o filho e desistiu de trabalhar. Esse é um retrato do Bolsa Família. A situação imediata do nordestino melhorou, mas a miséria social permanece.
A oposição está acuada pela popularidade de Lula?
Eu fui oposição ao governo militar como deputado e me lembro de que o general Médici também era endeusado no Nordeste. Se Lula criou o Bolsa Família, naquela época havia o Funrural, que tinha o mesmo efeito. Mas ninguém desistiu de combater a ditadura por isso. A popularidade de Lula não deveria ser motivo para a extinção da oposição. Temos aqui trinta senadores contrários ao governo. Sempre defendi que cada um de nós fiscalizasse um setor importante do governo. Olhasse com lupa o Banco do Brasil, o PAC, a Petrobras, as licitações, o Bolsa Família, as pajelanças e bondades do governo. Mas ninguém faz nada. Na única vez em que nos organizamos, derrotamos a CPMF. Não é uma batalha perdida, mas a oposição precisa ser mais efetiva. Há um diagnóstico claro de que o governo é medíocre e está comprometendo nosso futuro. A oposição tem de mostrar isso à população.
Para o senhor, o governo é medíocre e a oposição é medíocre. Então há uma mediocrização geral de toda a classe política? Isso mesmo. A classe política hoje é totalmente medíocre. E não é só em Brasília. Prefeitos, vereadores, deputados estaduais também fazem o mais fácil, apelam para o clientelismo. Na política brasileira de hoje, em vez de se construir uma estrada, apela-se para o atalho. É mais fácil.
Por que há essa banalização dos escândalos?
O escândalo chocava até cinco ou seis anos atrás. A corrupção sempre existiu, ninguém pode dizer que foi inventada por Lula ou pelo PT. Mas é fato que o comportamento do governo Lula contribui para essa banalização. Ele só afasta as pessoas depois de condenadas, todo mundo é inocente até prova em contrário. Está aí o Obama dando o exemplo do que deve ser feito. Aqui, esperava-se que um operário ajudasse a mudar a política, com seu partido que era o guardião da ética. O PT denunciava todos os desvios, prometia ser diferente ao chegar ao poder. Quando deixou cair a máscara, abriu a porta para a corrupção. O pensamento típico do servidor desonesto é: "Se o PT, que é o PT, mete a mão, por que eu não vou roubar?". Sofri isso na pele quando governava Pernambuco.
É possível mudar essa situação?
É possível, mas será um processo longo, não é para esta geração. Não é só mudar nomes, é mudar práticas. A corrupção é um câncer que se impregnou no corpo da política e precisa ser extirpado. Não dá para extirpar tudo de uma vez, mas é preciso começar a encarar o problema.
Como o senhor avalia a candidatura da ministra Dilma Rousseff?
A eleição municipal mostrou que a transferência de votos não é automática. Mesmo assim, é um erro a oposição subestimar a força de Lula e a capacidade de Dilma como candidata. Ela é prepotente e autoritária, mas está se moldando. Eu não subestimo o poder de um marqueteiro, da máquina do governo, da política assistencialista, da linguagem de palanque. Tudo isso estará a favor de Dilma.
O senhor parece estar completamente desiludido com a política.
Não tenho mais nenhuma vontade de disputar cargos. Acredito muito em Serra e me empenharei em sua candidatura à Presidência. Se ele ganhar, vou me dedicar a reformas essenciais, principalmente a política, que é a mãe de todas as reformas. Mas não tenho mais projeto político pessoal. Já fui prefeito duas vezes, já fui governador duas vezes, não quero mais. Sei que vou ser muito pressionado a disputar o governo em 2010, mas não vou ceder. Seria uma incoerência voltar ao governo e me submeter a tudo isso que critico.
UM BREVE COMENTO:
De extrema e inquestionável lucidez, Jarbas trouxe o retrato do que é hoje fazer política neste país. Conforme diversas vezes salientei, o clientelismo, a primazia não do direito público, mas do direito privado, através dos desvios de finalidade, formam sob o intrépido manto da corrupção uma verdade odiosa, mas de contornos conformados...
Não carece de complementariedade, a não ser as de cunho pontual, a descrição dos poderes de Estado feita por jarbas, que se regem sob a égide constitucional de um sistema federativo. Federação, que em sua fruição conceitual muito se liga ao sistema de mutua cooperação. Alcançou-se uma verdadeira unidade em nosso território, onde Estados e Municípios, em suas diversas atribuições constitucionais buscam o mesmo fim, o fim de interesse privado, amequinhado pelos sobrenomes e influências que tem para escambear com a União, neste ponto escapulindo das raias constitucionais é claro...
Mas por certo o poder não se sustenta senão através do consensus, este por sinal obtido por vezes de maneira legítima, outras de formas em nada ortodoxas. Encaixamo-nos, por óbvio, na segunda hipótese, onde desnecessário se torna o dever de probidade, a prática sob os ditames da moralidade pública, alguns dos princípios insculpidos no art. 37 da Constituição Republicana, que através do concensus popular, comprado pelo crime do assistencialismo eleitoreiro, se tornam figuras meramente ilustrativas de uma utopia democrática representativa, embora de sede constitucional...
Através deste fenômeno que é o assistencialismo, em especial nas nações mais obtusas como a nossa, onde a ausência se faz de regra, se promove em um espaço temporal reduzido a perpetuação da indignidade amarrada pelas necessidades mais primárias de subsistência do ser humano, que percebe-se tolhido por sua estupidez, parte condicionante do sistema...
Em nossa democracia, nossos representantes, em especial do poder legislativo, votam (promovem o conluio) secretamente, contam com uma imunidade que os mantém à margem da legalidade, blindados por seus crimes, há um Judiciário também corrompido, que vende suas sentenças em proveito particular e do sistema além de um executivo orquestrador de toda essa podridão, que enriquece o sistema por um necessário silêncio comprometedor e compra toda uma nação, oportunizando as mais diversas ausências de oportunidades de educação, saúde, segurança e fome, esta suprida com o objetivo de alcançar a idiotizada dependência social que o fará perpétuo...
"Isto aqui oo, é um pouquinho de Brasil iaia..."

19 fevereiro, 2009

O GOVERNO DEIXA O BRASILEIRO DESPREGUEADO!

Se Lula da Silva iludiu-se que um dia alcançaria a liderança política regional, já deveria ter acordado. Nenhum parceiro do Mercosul votou a favor do candidato brasileiro na última eleição do diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC)... O Brasil de Lula também não logrou eleger o presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID)... A Argentina é contra a pretensão brasileira de ocupar um posto permanente no Conselho de Segurança da ONU e, nas negociações comerciais, tem divergido sistematicamente nos momentos decisivos das propostas "canarinho". No comércio bilateral, tem recorrido seguidamente ao protecionismo, sempre com a anuência do governo brasileiro, mais empenhado em agradar os "irmãos" que propriamente defender os interesses nacionais. O Itamaraty protesta, vale dizer com toda razão, contra o protecionismo dos pacotes econômicos dos Estados Unidos e de países europeus, mas aceita passivamente a "trolha" dos parceiro mais próximos...

O governo brasileiro curvou-se, ou curvou-nos para melhor ilustrar, mais uma vez à decisão argentina de impor barreiras ao comércio bilateral. Além de abandonar a defesa dos legítimos interesses da indústria e dos trabalhadores nacionais, autoridades brasileiras ainda acarinham ministros argentinos com a proposta de financiar as exportações da Argentina para o Brasil. As barreiras contra produtos brasileiros foram aumentadas a partir de setembro, quando se agravou a crise financeira internacional. Buenos Aires suspendeu as licenças automáticas de importação de 1.200 produtos, vários deles exportados pelo Brasil, e elevou os preços de referência para 120 tipos de mercadorias, numa ação voltada não só contra a indústria chinesa, mas também contra a brasileira.

Todas essas decisões serão mantidas, disse em Brasília o chanceler argentino Jorge Taiana, sem receber contraditório... O governo argentino busca sem muita determinação uma pífia justificação para seu protecionismo com relação ao Brasil com a necessidade de preservar setores industriais e com a acusação ao governo brasileiro de distorcer o comércio com o financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), embora esse financiamento esteja dentro dos padrões aceitos internacionalmente. "As normativas continuam vigentes", disse Taiana à imprensa, referindo-se às barreiras argentinas. "Assim como as do Brasil", acrescentou, dando a entender que há uma equivalência de situações. Essa equivalência portanto não existe, mas o governo brasileiro, em vez de contestar a mistificação, tenta comprar a boa vontade do parceiro protecionista com esquemas de crédito e de estímulos a investimentos, como se tivesse de pagar uma compensação por faltas que não cometeu... A reciprocidade, princípio das relações bilaterais, resta por uma via de mão única, sempre na direção dos irmão... Somos uma espécie de FMI da américa Latrina, a diferença é que não emprestarmos, damos...


HORA DE DESCER O SARRAFO:
O governo brasileiro não se cansa de tratar os seus como quadrúpedes à sua imagem e semelhança, embora teoricamente andemos todos sob duas patas, ops, pés... Deixar-nos de quatro para que sejamos vitimados por práticas incestuosas já se tornou rotina a desconstruir nossas pregas anais, ops, morais...

Enquanto o mundo, tracionado pelos EUA busca proteger seus mercados, seu setor produtivo, o Brasil permanece como se crise não houvesse, ainda navegando sob o efeito das "marolas"... A indubitavel opção "Lulática" de escambiar com o "cú" do brasileiro entre seus "irmãos, além de um ser pecado, provoca reflexos além das hemorróidas... Crava-se em quem produz; em quem gera emprego; sonega-se tributo; o país não arrecada o que poderia arrecadar do empresariado; o povo paga o preço no repasse dos "prejuízos" do Estado e do empresariado em suas aquisições para sua subsistência, perde seu poder de compra; a economia entra em recessão; o brasileiro perde seu emprego ou tem seus salários reduzidos, a fome aumenta, o bolsa família se dilata criando novos dependentes e o povo amorfo aplaudi seu Presidente em campanha para 2010...
MAS O POVO NÃO ESTÁ A APROVAR? QUEM ENTÃO SERIA MAIS SEM VERGONHA?

16 fevereiro, 2009

O DIABO VESTE HERING...

Para os sócios do Mosaico não é nenhuma novidade o resultado deste referendo venezuelano... Chávez, a aberração, havia deixado claro que haveria quantos referendos fossem necessários ao que classificou ser a única opção para Venezuela...

Primeiramente irei expor de forma sintética alguns fatos deste referendo, logo após entrarei em comento, quando o pau vai comer...
A emenda constitucional que coloca fim ao limite para a reeleição aos cargos públicos foi aprovada neste domingo com 54,36% dos votos. Com esta vitória, o Presidente Venezuelano Hugo Chávez (de cadeia) abre caminho para disputar um terceiro mandato presidencial nas eleições de 2012.
De um lado os chavistas que defendiam a "continuação da revolução bolivariana" sob a liderança de Chávez e de outro, opositores, que rejeitavam o que consideram como uma medida para a "perpetuação do presidente no poder". Antes do pleito, o Presidente venezuelano, que governa o país há uma década, anunciou que se saísse vitorioso aprofundaria as mudanças rumo à consolidação de uma revolução socialista na Venezuela...
Ao longo da votação não faltaram denúncias de que as urnas eletrônicas não registravam a opção escolhida pelo eleitor... Esses votos acabaram sendo anulados.... Esses incidentes foram qualificados como "fatos isolados" pela organização não-governamental Olho Eleitoral, principal organismo de observação eleitoral do país... E seriam loucos de dizer ao contrário colocando o referendo sob suspeição?
"Longa vida à revolução", gritou Chávez, vestido com sua tradicional camisa vermelha, na varanda do Palácio de Miraflores, diante de milhares de venezuelanos...

EM COMENTO:
Sempre firmei com máxima clarividência minha visão sobre o que classifico como "terror vermelho da América Latrina". Os países que compõem este espaço territorial em sua totalidade possuem partidos de cunho comunista\socialista, que encontram-se firmes no propósito de formar um grande eixo de Satã no continente...
O mais hipócrita e corrompido dos sistemas, que desde o declínio da URSS e a queda do Muro de Berlim capitulou em sua apodrecida utopia, encontrou alguma sobrevida tão apenas nos cantões mais ermos, e por isso, no propósito de reiniciar um novo processo caótico de ilusão popular, demandam pela alteração de seus "estatutos" de implantação.
O que estou a afirmar? Em linguagem vulgar, quero dizer que o passo a passo do Foro de São Paulo na América Latrina, o verdadeiro "cú do mundo" está obrando seus propósitos à revelia de um maior discernimento de sua representatividade...
Travestem o comunismo de socialismo, nome de maior simpatia popular, e procuram prover uma falsa capa democrática onde a ditadura possui posição nuclear, e portanto absolutamente incompatível... Este tipo de artifício do novo comunismo, é sem dúvida alguma muito mais perigoso que a versão anterior, pois além de permanecer vendendo utopia, este vem somatizado ao engodo de dar voz a um povo que não tem ou não sabe como escolher...
Não restam dúvidas, que a latrina do mundo é o local propício para a ressurreição do ópio dos desvalidos. Território povoado por uma maioria de bucéfalos e analfabetos funcionais torna-se presa fácil às maiores falácias, que restam regadas pelo populismo assistencialista explorador das mais profundas misérias faméricas e intelectuais...
Por isso, vem fazendo parte do processo da maior idiotização popular a ausência em seu grau mais profundo de indispensabilidade. É a ausência de informação em todas as suas vertentes, a ausência de oportunidades tornando o cidadão refém de sua própria ignorância, vinculando seu "poder democrático de escolha" a uma só opção, a de comer na refeição seguinte... Assim se rege o poder de convencimento deste novo sistema orquestrado por estes novos ditadores, que portam em suas faces a mais profunda ignorância, fazendo-se passar como mais um do povo que estão a desnutrir...
A grande falha de Satã, foi em minha humilde opinião travestir-se de belo e poderoso para que fosse desejado e almejado como figura a ser paradigmada. Hoje, de forma surpreendentemente inteligente, ele desce de seu pedestal e aparece como mais um do povo, abdicando da distância dos que pretende dominar para conseguir ludibriar com suas idéias... Talvez tenha assimilado os ensinamentos de Jesus, se vendendo verdadeiramente como um comum, conseguindo o consensu, para só depois se desvendar... Dividir-se entre os vários Estados que pretende de início dominar talvez tenha sido outra bela sacada para uma intervenção mais eficaz, pois produz confusão aos mais desvalidos mentais...
Para nós resta aguardar e conferir a máxima de que Deus seria brasileiro...
Vejam isto:


Este cidadão é um eleitor de Chávez, que como se pode perceber possui várias identidades. É um dos exemplos em que 1 voto valeu por 5... É esta a mais pura democracia bolivariana...

Sem mais...

PS: Este post é para ser entendido por associação e não necessariamente ao pé da letra. Sua mensagem dita entrelinhas foi o fundamento de sua feitura...

12 fevereiro, 2009

AS PREFERÊNCIAS SEXUAIS DE NOSSO ILUSTRÍSSIMO PRESIDENTE... RAPIDINHAS COM O PRESIDENTE!

Proporcionarei algumas rapidinhas, espero que aproveitem como o nosso Presidente...
Os Ministros Dilma Rousseff (Casa Civil) e Tarso Genro (Justiça) foram excluídos da lista de possíveis investigados do inquérito da Polícia Federal que apura a produção e o vazamento do dossiê sobre gastos do ex-presidente FHC. A decisão foi tomada anteontem pelo Ministro Ricardo Lewandowski, do STF.
"Não há até este momento fatos que justifiquem a investigação de autoridades em instância superior", disse à Folha Lewandowski, relator do caso. O STF devolveu o inquérito sigiloso à primeira instância da Justiça Federal por não existirem mais entre os investigados autoridades com foro privilegiado.
Como venho à tempo batendo, mais político que o congresso apenas o STF... Pelo Supremo a Constituição sede seu sentido de coerção erga-omnes para blindar, numa espécie de imunidade de fato, os interesses maiores de poder do poder... Por isso faz-se repetir aquela velha e batida história do "ninguém sabe ninguém viu..." Vergonha!
Mais uma rapidinha:
O jornal paraguaio ABC Color noticiou ontem, em sua versão eletrônica, que o governo brasileiro, mais particularmente o Presidente Lula, pediu que as negociações sobre a majoração no preço da energia de Itaipu sejam “secretas”. Lula quer que elas se dêem longe da imprensa. Quem confirma o amistoso pedido é o próprio presidente do Paraguai, Fernando Lugo, em entrevista coletiva. Endossa assim, informação dada na semana passada por um assessor seu. Lugo disse que o pedido lhe foi feito pessoalmente por Lula, no encontro que tiveram em Belém do Fórum Social Mundial.
Como já fez questão de demonstrar, Lula é mesmo um tarado discreto. Curte as maiores orgias sim, varia de posições sem pudor, mas tudo entre quatro paredes, no calar da noite, sobre a cama do erário público... Passivo por opção, em suas relações faz a alegria dos irmãos latrinos gozando com o pau dos outros, mais precisamente de nosotros...
Tá gostoso? então toma mais:
Tem gosto para tudo nesse mundo. Vejam só essa história de "gozar com o pau alheio"... Lula providenciou um mega encontro regado a champagne e hotel 5 estrelas com os Prefeitos desta Federação. Você deve estar imaginando que cada prefeitura desta Federação deve ter ficado mais pobre com essa verdadeira orgia custeada com o dinheiro público municipal. Porém enganou-se desta vez, precipitou-se...
Este gasto do dinheiro público fará render alguns zeros à direita, local que interessa... Pois vejam, Lula ampliou o prazo para os Prefeitos saldarem parte de suas dívidas com o INSS, R$ 14 bilhões... O parcelamento dos débitos, que hoje é de 60 meses, poderá ser feito em até 20 anos... Por isso, os que promovem o calote na Previdência terão a oportunidade de "regularizarem-se" e, a partir daí, receberem repasses de recursos federais para assinar convênios com o Governo Federal, leia-se PAC, o PAC dos Municípios...
Com isso nosso Presidente palanqueiro, que se percebeu enfraquecido nas últimas eleições municipais, acha uma maneira de perpetrar sua política assistencialista não apenas através das pessoas físicas com aviltante moral bolsa-eleição, mas também conseguir o apoio de chefes dos executivos municipais através do PAC, e assim, com nossos impostos de finalidade desviada, garantir a sucessão presidencial à seu gosto com o uso da máquina pública de todos os entes da federação... Interessante é o ensurdecedor silêncio da Justiça Eleitoral - TSE... É de doer os ouvidos...
A última: O corregedor do castelo, que perdi meu tempo escrevendo sobre no post infra, acaba de ser desfiliado pelo DEM. Detalhe que corre à boca pequena é que o PT já estaria de olho na compra de seu passe, faria ele o perfil do partido segundo a cúpula PeTralha... Imaginem um meio campo formado com Dirceu, Delúbio, Genuíno e Valério, é de impressionar... O corregedor chegaria como opção, já que no time de Lula ninguém chega como titular, mas será um belo reforço... Aguardem!
E aí, gozou?

09 fevereiro, 2009

O CASTELO DO PODER E A BLINDAGEM NATURAL DA CORRUPÇÃO.


He-Man e os Defensores do Universo. Na série, o personagem principal e seus amigos defendem o planeta Eternia e o Castelo de Grayskull, habitado pela feiticeira, das forças malignas comandadas pelo vilão Esqueleto. Mas não é deste castelo que quero falar...

Há também o Castelo das Pedras, famoso point do funk carioca, espaço onde as popozudas vão descendo até o chão ao som do pancadão... Mas também não é deste que vou tratar...

Há ainda a Universidade Castelo Branco! Deixa para lá...

Certo, que nem nas histórias em quadrinhos ter um castelo em seu significado original é uma possibilidade vulgar, ainda mais um castelo medieval num país que começou em 1500 e onde a monarquia foi bem peculiar... Uns são bonitos, como o castelo do barão Smith de Vasconcellos, avô de Marta Suplicy, castelo renascentista localizado em Itaipava, no Estado do Rio, projetado pelo pai da moderna arquitetura brasileira, Lúcio Costa. Outros são um tanto feios, como o do corregedor da Câmara, deputado Edmar Moreira, localizado em São João Nepomuceno (MG), é deste que quero tratar.

Crime contra o bom-gosto ainda não encontra-se capitulado no Código Penal, poluição visual sim, em normas de direito ambiental, mas não chegaremos à tanto... O direito de ser brega vem implicitamente garantido pela Constituição... Pois é, o deputado Edmar Moreira (DEM-MG) tem um, todinho seu e da sua família, com 36 suítes e torres de oito andares.

Moreira é o novo segundo vice-presidente da Câmara, cargo que vem acoplado com a Corregedoria. Em tese, corregedor seria aquele sujeito acima de qualquer suspeita, de reputação ilibada a quem seria competente corrigir erros e coibir abusos de seus pares. Há controvérsia se Moreira, o nosso cavalheiro (não cavaleiro) de gosto medieval, se encaixaria bem nesse perfil... Seu patrimônio declarado em 2006 era de R$ 9 milhões, mas só o castelo seu castelo está à venda pela bagatela de 25 milhões, sejam reais ou dólares (à depender da fonte). Explicação do deputado: o imóvel estaria no nome dos filhos. Ao mencionar filho lembrei de Lulinha e sua Fazenda Fortaleza, e... bobagem...

Até a eleição de Moreira à segunda vice, com direito à Corregedoria, é controversa. O seu partido, o DEM, lançou outro deputado, V. Pires (PA). Moreira passou por cima, apresentou-se como candidato avulso e venceu! Incrível! Será que como a feiticeira do Castelo de Grayskull Moreira possui poderes mágicos ou tem algum He-man e os Defensores do Universo para protegê-lo?

Como integrante do Conselho de Ética, ele absolveu todos os mensaleiros e equivalentes que passaram pela "ética de seu julgamento". A recompensa como na era medieval veio a cavalo: a gratidão dos já absolvidos e um "seguro precaução" dos que acaso venham a ser desnudados pela imprensa e julgados... Nunca se sabe o dia de amanhã, dá deste país um dia virar coisa séria e o papai noel aparecer... O novo líder do PT na Câmara, deputado Candido Vacarezza é um de seus principais defensores. Repetindo o presidente Lula no caso do mensalão, Vacarezza afirma que declarar um imóvel ao imposto de renda por um valor muito menor "é o que se faz sempre"...

Moreira não se fez de rogado e em sua primeira entrevista, foi logo defendendo o fim das cessações. "Parlamentar não é polícia." Puxa, que alívio! Enquanto Michel Temer não vem, Moreira refestela-se na cadeira de presidente...

Em um dado momento deste post mencionei a possibilidade de um Brasil sério, momento que lembrei-me de papai-noel... Aos políticos deste país, ao que parece, foi dada a missão de manter-nos com a idade mental dos que ainda crêem em bom velhinho. O discernimento da sociedade brasileira como um todo é compatível com todas as criações para o imaginário infantil, injusto seria esquecermos do Coelhinho da Pascoa...

Uma sociedade aculturada e já de cedo acostumada ao jeitinho, o tal jeitinho brasileiro que muitos orgulham ostentar... E é com esta ignorância e este jeitinho, que elegemos quem nos representarão, os que certamente farão jus à que nós os paguemos com o que não temos para com algum "jeitinho" se tornem os grandes magnatas do poder deste excremento chamado Brasil, com todo respeito...

De uma sociedade emburrecida não há mesmo muito a esperar, de um Ministério Público pouco interessado lamentavelmente... Da presidência, bom, poupar-lhos-ei dos detalhes sórdidos... Conclusão é mesmo a realidade, nem Papai-Noel nem o Coelhinho da Pascoa existem e estamos fedidos e "fudidos"...

04 fevereiro, 2009

EXISTE GATO E RATO NA RELAÇÃO ENTRE JUDEUS E PALESTINOS? INTERESSA O TÉRMINO DESTE CONFLITO? HÁ VONTADE POLÍTICA? DE QUEM CARA PÁLIDA?

Penetre na história e perceba as razões fincadas na irracionalidade:
O moderno estado de Israel está situado em um território que já foi conquistado por muitos povos: assírios, babilônios, persas, gregos, romanos, árabes muçulmanos e turcos otomanos. O país, localizado na costa oriental do Mar Mediterrâneo, é conhecido como a Terra Santa. Para os judeus, a terra é santa porque lhes foi prometida por Deus; para os cristãos, porque Jesus, sendo judeu, nasceu e viveu lá; para os muçulmanos, porque Jerusalém é o local da subida do profeta Maomé aos Céus.
O laço judeu à Terra de Israel data de mais de 3.700 anos. De acordo com a Bíblia, Deus prometeu que os descendentes do patriarca Abraão herdariam a terra. O Livro Sagrado revela que o povo judeu foi escravizado no Egito, até que Deus o libertou. Após sua libertação do Egito, o povo judeu foi liderado por Moisés - o maior profeta da história judaica - e levado à Terra de Israel. No entanto, foi Josué, sob o comando de Deus, que conquistou a Terra, iniciando assim a formação do primeiro estado judeu.
A nação judaica formou a sua primeira monarquia constitucional por volta do ano 1000 A.C. O segundo rei dos judeus, Davi, estabeleceu Jerusalém como a capital do país e seu filho Salomão liderou a construção do Templo Sagrado de Jerusalém.
No ano 70 D.C., os romanos destruíram o Templo Sagrado. Tudo o que restou de pé até hoje foi sua Muralha Ocidental, conhecido por todos como Muro das Lamentações, considerado pelo judaísmo como o local mais sagrado do mundo. Sendo assim, pessoas de vários países, judeus e não-judeus, visitam o Muro em Jerusalém. Elas escrevem bilhetes com pedidos pessoais a Deus e os colocam entre suas pedras.
Além de destruir o Templo Sagrado de Jerusalém, os romanos expulsaram os judeus de sua terra, dando início à diáspora, que significa a dispersão dos judeus para outros países do mundo. Contudo, apesar de terem sido conquistados pelos romanos, muitos judeus continuaram a viver na Terra de Israel.
Por volta do século IX, comunidades judaicas foram restabelecidas em Jerusalém e Tibérias. No século XI, a população judaica crescia nas cidades de Rafah, Gaza, Ashkelon, Jaffa e Caesarea. Durante o século XII, muitos judeus que viviam na Terra Prometida foram massacrados pelas Cruzadas, mas nos séculos seguintes, a imigração para a Terra de Israel continuou. Mais comunidades religiosas judaicas estavam se fixando em Jerusalém e em outras cidades.
Um dos pontos fundamentais da fé judaica é que todo o povo será liderado de volta à Terra de Israel e que o Templo Sagrado será restabelecido. Muitos judeus acreditam que o Messias, que será enviado por Deus, irá liderar o retorno de todo o povo judeu à Terra de Israel.
Contudo, muitos judeus acreditavam que eles próprios deveriam iniciar seu retorno à sua terra histórica. A idéia de estabelecer um estado judeu moderno começou a ganhar grande popularidade no século XIX na Europa. Um jornalista austríaco chamado Theodor Herzl levou adiante a idéia do sionismo, definido como o movimento nacional de libertação do povo judeu. O sionismo afirma que o povo judeu tem direito ao seu próprio estado, soberano e independente.
No final do século XIX, o aparecimento do anti-semitismo, o preconceito e ódio contra judeus, levou ao surgimento de pogroms – massacres organizados de judeus – na Rússia e na Europa Oriental. Esta violência notória contra judeus europeus ocasionou imigrações maciças para a Terra de Israel. Em 1914, o número de imigrantes vindos da Rússia para a Terra de Israel já alcançava os 100.000. Simultaneamente, muitos judeus vindos do Iêmen, Marrocos, Iraque e Turquia imigraram para a Terra de Israel. Quando os judeus começaram, em 1882, a imigrar para seu antigo território em grande escala, viviam por lá menos de 250.000 árabes.
Acredita-se que o termo “Palestina” (Palestine) origina dos filisteus (Philistines), um povo egeu que, no século XII A .C., se estabeleceu ao longo da planície costeira do Mediterrâneo, conhecida hoje como a Faixa de Gaza. No século II, após derrotar o antigo estado de Israel, os romanos deram o nome de Palestina à terra, numa tentativa de humilhar os judeus e minimizar sua identificação com a Terra de Israel.
Em 638, a conquista árabe da Terra de Israel deu início a 1.300 anos de presença muçulmana em Israel. Porém, o país nunca foi exclusivamente árabe. Após as invasões muçulmanas do século VII, o árabe tornou-se gradualmente a língua da maioria da população da região. Apesar do controle muçulmano, nenhum estado árabe independente chegou a ser estabelecido na Terra de Israel.
A cidade de Jerusalém é considerada a terceira mais sagrada na religião islâmica (as primeiras são Meca e Medina). Acredita-se que Jerusalém seja o local onde o maior profeta islâmico, Maomé, subiu aos Céus. A mesquita al-Aqsa, onde o Domo da Rocha foi futuramente construído, marca este ponto, que é sagrado para os muçulmanos.
Enquanto os muçulmanos dominavam a região, cristãos e judeus viviam em paz, já que eram considerados os Povos do Livro. Cristãos e judeus tinham controle autônomo em suas comunidades e eram permitidos a praticar as suas religiões com liberdade e segurança. Tal tolerância religiosa demonstrada pelo povo muçulmano é rara na história do homem.
Em 1517, os turcos otomanos da Ásia Menor conquistaram a região e, com poucas interrupções, governaram Israel, então chamada de Palestina, até o inverno de 1917\18. O país foi dividido em diversos distritos, dentre eles, Jerusalém. A administração dos distritos foi cedida em grande parte aos árabes palestinos. As comunidades cristãs e judaicas, porém, receberam grande autonomia. A Palestina compartilhou a glória do Império Otomano durante o século XVI, mas foi negligenciada quando o império começou entrar em declínio no século XVII.
Em 1882, menos de 250.000 árabes viviam no local. Uma parte significante da Terra de Israel pertencia aos senhores, que viviam no Cairo, Damasco e Beirute. Por volta de 80% dos árabes palestinos eram camponeses, nômades ou beduínos.
Em 1917\18, com apoio dos árabes, os britânicos capturaram a Palestina dos turcos otomanos. Na época, os árabes palestinos não se imaginavam tendo uma identidade separada. Eles se consideravam parte de uma Síria árabe. O nacionalismo árabe palestino é, em grande parte, um fenômeno do pós Primeira Guerra Mundial.
Em 1921, o Secretário Colonial Winston Churchill separou quase quatro-quintos da Palestina – aproximadamente 35.000 milhas quadradas - para criar um emirado árabe, a Transjordânia, conhecida hoje como Jordânia. Este país, que é uma monarquia árabe, é em sua maioria composto por palestinos que hoje representam aproximadamente 70% da população.
Em 1939, os britânicos anunciaram o White Paper (Carta Branca), um documento relatando que um estado árabe independente e não dividido seria estabelecido na Terra de Israel (chamada de Palestina) dentro de 10 anos. O nacionalismo árabe cresceu com a promessa de um estado forte. Mas, como discutiremos futuramente, os britânicos não foram capazes de manter sua promessa aos árabes. Em vez disso, em 1947, as Nações Unidas decidiram dividir a Terra de Israel em dois estados: um judeu e outro árabe. Em 1948, foi estabelecido o estado de Israel. Quando seus vizinhos árabes atacaram o novo estado judeu, teve início a primeira guerra árabe-israelense. Durante o estabelecimento do estado de Israel e durante a primeira guerra entre árabes e israelenses, mais da metade dos árabes que viviam na Terra de Israel fugiram, dando início ao problema ainda hoje vigente de refugiados palestinos.
Digressões finais:
Fato porém, que qualquer discussão em torno de perquirir-se a medida das razões do conflito, esbarra-se no culto ao fanatismo arraigado nas duas culturas. A questão da soberania, embora aparentemente de fundamentalidade inquestionável não esgota e jamais esgotará em si. Cada cidadão ocupante desses territórios são tomados pelo sentimento do ódio à seus ex-adversos já do berço, e acreditam serem mártires, que através da luta alcançarão a salvação eterna. Tempere-se estas mentalidades doentias-destrutivas com grupos terroristas, que propagam a ideologia da guerra através das idéias e ações, que disseminam o ódio recíproco como forma de se respeitar a fé...
Alcançar a paz entre este povos é de uma utopia e de uma hipocrisia política que não se pode mensurar. Independente de interesses como o da indústria bélica, este embate escapa às raias da mínima razão e é irreversivelmente tomado pela fé em seu grau mais destrutivo, quando a sanidade perde em absoluto qualquer referencial.
Há de se lamentar e muito a constatação de se tratar de uma guerra sem fim. Enquanto houver muçulmanos e judeus a paz manter-se-á sob o odor das pólvoras da guerra. Quando se unem questões advindas da história, religião, do terror, políticas e de soberania territorial em posições antagônicas em seu sentido mais lato, vislumbrar a harmonia e o mútuo respeito escapa ao controle dos homens e de seus Deuses, neste momento o fogo passa a arder sem não mais se apagar...Qualquer tentativa de paz se amesquinhará em dias de cessar fogo, até o momento que se estoure um "inofensivo" estalinho à se produzir um mínimo ruído... Culpar Palestinos ou Judeus por esta guerra é irrefutavelmente tomar um partido equivocado, pelo menos ao que concerne a exclusão da culpa de um desses povos...
A força do terrorismo nesta região se faz notar em todos os campos possíveis de atuação, e não apenas se faz perceber no lançar de bombas. Exemplo disso foi noticiado, curiosamente, em poucos jornais do mundo. Lembram-se daquele ataque das Forças de Defesa de Israel a uma escola da ONU, que matou 43 pessoas? Pois é. Não foi numa escola da ONU, vale dizer, o que os israelenses vinham dizendo desde o dia 6 de janeiro. Só agora, quase um mês depois, Mawell Gaylord, coordenador de ações humanitárias da ONU em Jerusalém, admite a verdade QUASE 1 MÊS DEPOIS: o morteiro foi lançado numa rua PERTO da escola, mas não contra a escola.
O forjado ataque à escola foi manchete do mundo inteiro e o desmentido, até o momento está apenas no Haaretz. O mundo também não se interessou em manchetar as torturas e execuções sumárias que se seguiram à retirada de Israel de Gaza. Ao que parece a imprensa ocidental se deixou tomar pela lógica terrorista... Esse caso da escola mereceria um justo destaque: HAMAS LUDIBRIA O MUNDO! Dado interessante é que o principal representante das Nações Unidas em Gaza é um sujeito que acredita que os próprios EUA tramaram o 11 de Setembro, é coisa para maluco? Pode ser... Como se percebe, a ausência de sanidade alcança todos os povos independentemente de raça, sexo, credo...

28 janeiro, 2009

APANHADO COMPLETO DO CASO CESARE BATTISTI.

Aduzo neste instante, assunto da maior importância no contexto relações internacionais, soberania e ideologias políticas. O hoje oficialmente esilado político Cesare Battisti, após uma década acobertado pelo goveno francês, percebeu no Brasil uma nova oportunidade de manter-se tutelado e longe das agruras da nação que clama pela oportunidade de punir fazendo valer suas leis e sua justiça.
A itália reclama a extradição de quem condenou pelo cometimento de 4 homicídios à sua revelia...
Trago neste espaço as mais diversas digressões, oportunizando aos amigos deste blog uma auto-posição reflexiva balizada e sustentável. Aproveitem e se esclareçam! Como se pode notar, destaquei com cores diferentes as diversidades deste post, encontrando-se meu comentário ao final.

Segue carta enviada por Cesare Battisti ao CONARE pouco antes de seu julgamento. Carta de Cesare Battisti ao CONARE

Senhor Presidente do Conare Demais conselheiros e autoridades brasileiras,

São muitos os anos de perseguição política que sofro. Confesso que estou cansado. Após minha fuga da Itália, a minha militância deu-se como escritos, usando o espaço que me deram as editoras francesas e italianas para criticas a época política italiana dos anos de chumbo. Fui membro do PAC, mas nunca pratiquei atos de violência. Me abriguei em solo francês, pois a doutrina Mitterand protegia os militantes que renunciassem à prática de atos de violência. A verdade é que eu já havia publicamente renunciado à luta armada quando da morte de Aldo Moro. Tão logo percebi o caminho pelo qual a esquerda radical italiana poderia estar indo, fui radicalmente contra e cheguei mesmo a dizer a meus companheiros minha discordância. Fugi para a França, e da França para o México, e do México para a França, e da França para o Brasil. A pé, de ônibus, de avião, de carro, enfim, da forma que fosse possível. Fugi cruzando territórios e fronteiras, que nem sempre eram a minha destinação original. Fugi muitas vezes pensando que nunca mais veria minhas duas filhas, meus amigos, minhas referências de vida. Hoje estou cansado. Se volto para a Itália sei que vou morrer. Embora nunca tenha matado ninguém, me acusaram de ter matado policiais com base em um depoimento de um "arrependido" por delação premiada, que jogou a culpa por muitos atos praticados por ele próprio em mim. Sei que será difícil convencer as pessoas da verdade, pois mentiras contra mim foram repetidas mais de mil vezes. Nunca pratiquei atos de violência contra quem quer que seja, e não há testemunha presencial que me acuse de tal prática. Sei que tenho condições de viver o fim de meus dias com dignidades nesta terra maravilhosa, como outros militantes políticos de esquerda da época o estão fazendo. Sei que posso continuar minha carreira de escritor e tradutor sem interferir em assuntos internos. Vim para o Brasil pois sabia do calor e do acolhimento que aqui receberia. Sabia também que o Brasil acolhe perseguidos políticos. Hoje tenho certeza que reúno condições de aqui trabalhar, de trazer minha família para perto, de estar ao lado de meus amigos que mesmo vivendo do outro lado do Atlântico nunca me deixaram só. Recebi com muita alegria a mudança de orientação do governo francês, que decidiu não mais extraditar Marina Petrella. Ela não merecia a morte, e Mitterand havia dado a todas nós a palavra de que não seriamos extraditados. Sarkozy procura o caminho dos grandes estadistas quando dá a mesma palavra para as FARCs e quando protege Marina da morte que seria certa. A verdade é que tudo isso me dá no mínimo o direito de sonhar que serei aceito como refugiado político nesta terra maravilhosa chamada Brasil e que um dia poderei ver a verdade restabelecida também na França e na Itália.

Atenciosamente,

Cesare Battisti .

Em carta recentemente enviada do cárcere, Cesare faz o seguinte apelo a apoiadores e apoiadoras:

"Eu agora preciso de vocês mais do que nunca, nem como de todos aqueles que lhe pareçam sensíveis a minha causa. Preciso de apoio de todas/os os amigos/as e companheiros/as a quem cada um de vocês tem acesso. Pois a impressão (e não é só uma impressão) que tenho é que caí mais uma vez em um jogo político sujo e cujas regras e verdadeiros objetivos desconheço. (...) Como bem sabem, muitas batalhas resultam em derrota ou vitória justamente em face da decisão da hora ou não de agir. Bem verdade lhe digo: é hora de agir!"


Carta enviada por Cesare Battisti desde sua cela da polícia federal, em Brasília. Data-se de Junho de 2008, toda solidariedade faz-se necessária...

Caros XXX e companheiros/as, é minha intenção inicial agradecer a vocês a ajuda dispensada e o interesse a mim dirigido durante todo esse tempo de segregação que já perduram 15 meses. Tentarei escrever-lhe de forma direta e aproveitando o meu falho português, despretensiosa também. Enfim, sem filtros cerebrais, É Assim que preciso me sentir quando escrevo a leitores "imaginários" deixar as palavras sair do peito (deformação profissional): faço-me então pano de chão para levantar-me pouco a pouco à altura do coração. Justamente por tê-los/as como companheir@s é que ouso dar-me o direito de escrever-lhe assim. O que pretendo fazer agora, seguindo o fio da intenção supracitada, é um balancete desse 15 meses de reclusão, bem como tornar-los conhecedores de minha situação jurídica, caso já não sejam, e de forma concomitante, solicitar mais uma vez vossa ajuda, caso seja possível, no que concerne ao plano que, a parte, será melhor detalhado e que, de todo modo, submeto a vossa experiência. Enfim, como sabem, dia 18/01/08 realizou-se meu depoimento em frente de um juiz federal. Aparentemente, tudo sucedeu-se da melhor maneira possível, até com o promotor colocando-se de meu lado. Eu, a defesa e todos os mais próximos não tivemos dúvidas sobre uma inevitável influência positiva sobre a Procuradoria Geral da República, que deveria em seguida pronunciar-se a respeito. Qual não foi nossa surpresa quando um mês depois o indefectível Procurador se pronunciou a favor de minha extradição, com um parecer até certo ponto desrespeitoso à ótima defesa apresentada. Ele, o fiel da balança, sequer se deu ao trabalho de fundamentar e substanciar adequadamente o seu escabroso parecer. Foi impressão da defesa e de outr@s que tal parecer caiu como uma bomba no âmbito do STF. Previsível foi também a festa mediática à qual se entregaram os urubus europeus e alguns brasileiros. Outrossim, lhe informo que os meus advogados reenviaram o processo a PGR para uma segunda avaliação e posterior retorno ao STF. Porém daqui em frente vamos precisar de um enorme trabalho jurídico e de sensibilização do mundo político e cultural brasileiro. Eis a razão desta: eu agora preciso de vocês mais do que nunca, nem como de todos aqueles que lhe pareçam sensíveis a minha causa. Preciso de apoio de todas/os os amigos/as e companheiros/as a quem cada um de vocês tem acesso. Pois a impressão (e não é só uma impressão) que tenho é que caí mais uma vez em um jogo político sujo e cujas regras e verdadeiros objetivos desconheço. Como bem sabem, muitas batalhas resultam em derrota ou vitória justamente em face da decisão da hora ou não de agir. Bem verdade lhe digo: é hora de agir! Começaremos corrigindo o erro que as companheiras e companheiros franceses perpetuaram com tanta obstinação, mesmo que tenha ocorrido motivado pelas melhores intenções: separar a todo custo o homem político, o escritor militante do processo estritamente jurídico. O mesmo que aconteceu na França em 2004 (ao final me trocaram por um contrato de trem bala entre as cidades de Lion e Turin) parece-me repetir-se aqui agora: enquanto a gente ficava ocupada com empecilhos jurídicos para evitar a extradição - já negada 14 anos antes! - os adversários já tinham ocupado o terreno político para assim pressionar o aparelho judiciário. Ora, sendo sabedor da boa defesa apresentada pelo profissionalismo do corpo jurídico que em advoga em minha defesa, permito-me nutrir reais chances de vitória jurídica com a continuidade da tramitação do processo. Porém, não posso me dar ao luxo de desconsiderar a forte influência italo-francesa aqui no Brasil. Bem como o seu grande poder de persuasão com todo o suficiente tempo que tiveram (2,6 anos de monitoramento em território brasileiro!) para arquitetar o forte fraudulento pedido de extradição. Daí, se faz necessário e imprescindível a minha intervenção nesse processo articulando todas as possíveis relações para que confluam em uma inteligente sensibilização do povo cultural e político e para que estes intercedam de alguma forma perante as autoridades, intermediado por pessoas como vocês ou a todos aqueles que lhe pareçam susceptíveis ao meu apoio. Quero, car@s amig@s, dar voz à minha consciência, porque este é meu papel desde sempre, esta é a minha índole, este é o processo político não só meu mas também dos anos 70 na Itália e esta é a minha única oportunidade de tirar meu nome da lixeira onde os obscurantistas de sempre querem colocá-lo. E, além de tudo, ninguém afora de mim é melhor do que eu pra sabe da gravidade da mentira histórica que está que está à origem de meus problemas atuais. Existem centenas de refugiados/as italianos/as dos anos 70 no mundo, inclusive no Brasil, porque então eu? Porque se não é para me calar a boca, tirar das bibliotecas meus livros que denunciam a horrorosa verdade daqueles anos? Não obstante a esses 15 meses de constrangimentos e d'espoliação - veja-se recluso em uma custódia de "delegacia", privado dos benefícios mínimos que mantém o equilíbrio psico-físico e que são de direito de qualquer preso - fico ainda em boas condições para avaliar a situação tal e qual se apresenta. Batalhas serão travadas e quero tomas parte ativa nesta luta política. Com o intuito que a verdade será enfim revelada sobre meu percurso político entre dois séculos. Porque a verdade, car@s companheir@s, é como aquela gota de chuva correndo ao longo de um fio. Só temos uma certeza: ela, uma hora, cairá. Eu estou precisando de ajuda. Levando em conta vossa particular colocação política e social, solicito que intercedam e sensibilizem a todos/as que achar relevantes no âmbito político-cultural e no movimento social me geral. Acho que não precisa, - ou sim? - lembrar ao Lula, agora guia do povo brasileiro, que nós lutamos do mesmo lado e na mesma época e que só por fatalidade, talvez também por competência, acabamos por tomar rumos tão diferentes. Poderia o presidente de hoje me entregar à morte certa que me espera nas celas da Itália (não se pode esquecer que eu fui escabrosa e mentirosamente condenado por assassinato de policiais, chefes de penitenciaria e milicianos; nesse sentido a Itália não é diferente do Brasil; me deixariam vivo?). Pois, este, onde ainda uma centena de pres@s políticos ficam sepultados/as vivos/as há mais de 35 anos e que agora estão pedindo a restauração da pena de morte, por desespero? Será que serei injustiçado pelo mesmo PT que eu como milhares de companheir@s do mundo aplaudimos quando da sua chegada ao poder através da eleição do Lula? Não me permito sequer imaginar que o povo brasileiro aceitará essa infame maquinação dos governos de direita Franco-Italianos. Este último integrado de novo pelos fascistas de mussoliniana memória de "Allianza Nazionale" e que querem retirar o sujeito político que sou do contexto histórico que motivou este VINGATIVO pedido de extradição. É a esse povo que agora peço: não deixem que me furtem a minha identidade política e cultual adquirida à custo de tanto sacrifício, não só de minha parte mas também de todos aqueles que ao longo de minha vida acreditaram em mim. Eu sempre assumi, sem falhas, as minhas responsabilidades políticas. Vide ontem - anos 70 - afastando-me fiel até as últimas conseqüências a meus ideais de justiça social, sendo as mesmas que me trouxeram ao Brasil, com a nutrição de esperança de juntar-me um dia a minha família e aqui morar. Assumindo enfim, pela primeira vez com todas as garantias constitucionais, minhas responsabilidades processuais frente à justiça brasileira. Eu sei, amig@s querid@s, que a coerência se empurrada ao extremo não é forçosamente revolucionária. Mas será que também ser conseqüente virou um atributo anti-social?

Um abraço,

Cesare Battisti .


Em nota divulgada na noite da terça feira 13 de janeiro, o Ministério da Justiça anunciou que o ministro da Justiça, Tarso Genro, decidiu pela concessão de refúgio humanitário ao escritor italiano Cesare Battisti, de 52 anos, que se encontrava preso na Penitenciária do Distrito Federal, desde 18 de março de 2007.

De acordo com a nota, o ministro Tarso Genro “decidiu pela concessão de refúgio (...) por entender que existe o elemento de 'fundado temor de perseguição'. O voto foi proferido (...) depois de analisados os argumentos do recurso impetrado contra a negativa do Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), em novembro passado”.
Na Itália, Battisti foi condenado à pena de prisão perpétua por duas sentenças. No pedido de extradição, a Itália alega quatro homicídios que teria cometido entre 1977 e 1979.
No voto – diz a nota – o ministro apóia-se no Estatuto dos Refugiados (1951) e a Lei 9.474 (1997), “que prevê como motivo de refúgio 'fundado temor de perseguição por motivos de raça (...) ou opinião política'. Segundo ele, a Itália reconhece a conotação política, uma vez que na sentença de Battisti consta o crime de associação subversiva, 'com a finalidade de subverter o sistema econômico e social do país'".
Os homicídios imputados a Battisti aconteceram num período em que o Estado italiano havia criado normas jurídicas de exceção.
Leia abaixo a íntegra do voto do Ministro Tarso Genro:

Referência: Processo nº. 08000.011373/2008-83
Procedência: Conare
Assunto: Recurso. Negativa. Condição de Refugiado. Carência de Pressupostos.
Interessado: CESARE BATTISTI
I. Relatório
1. Cuida-se de recurso interposto em favor do nacional italiano CESARE BATTISTI, com fulcro no art. 29, da Lei nº. 9.474/97, em face da Decisão proferida pelo Comitê Nacional para os Refugiados – CONARE, que lhe negou o reconhecimento da condição de refugiado ante a carência das hipóteses previstas no art. 1º do mesmo permissivo legal.
2. Alega o Recorrente, em apertada síntese, que integrou Organização político-partidária na Itália durante os chamados "anos de chumbo", e que é perseguido pelas autoridades daquele país em razão das opiniões políticas disseminadas à época, as quais fundamentaram, inclusive, pedido de extradição em seu desfavor para que seja submetido ao cumprimento de sentenças proferidas em processos que julga eivados de ilegalidade e que resultaram em condenação a prisão perpétua por crimes que assegura não ter cometido.
3. Junta documentos.
4. É o relatório, passo à decisão.
II. Decisão
5. O pedido de reconsideração é tempestivo.
6. Compulsando os documentos constantes dos autos, restou verificado constar processo de extradição passiva executória em trâmite perante o Supremo Tribunal Federal, por meio do qual o Governo da República da Itália colima a entrega do Recorrente para cumprimento de pena perpétua decorrente de duas sentenças criminais naquele país, o qual se encontra suspenso na forma da Lei até final decisão deste processo.
7. A lei nº. 9.474/97, que define mecanismos para a implementação do Estatuto dos Refugiados de 1951, dispõe em seu art. 1º acerca das condições em que poderá ser reconhecida a condição de refugiado a um cidadão estrangeiro, verbis:
Art. 1º Será reconhecido como refugiado todo indivíduo que:
I - devido a fundados temores de perseguição por motivos de raça, religião, nacionalidade, grupo social ou opiniões políticas encontre-se fora de seu país de nacionalidade e não possa ou não queira acolher-se à proteção de tal país;
II - não tendo nacionalidade e estando fora do país onde antes teve sua residência habitual, não possa ou não queira regressar a ele, em função das circunstâncias descritas no inciso anterior;
III - devido a grave e generalizada violação de direitos humanos, é obrigado a deixar seu país de nacionalidade para buscar refúgio em outro país.
8. Por sua vez, o Estado requerente não ofereceu oposição à alegada conotação política aventada quanto aos fatos pelos quais seu nacional é reclamado. Ao contrário, consignou expressamente em sentença que, nos diversos crimes listados, agiu o Recorrente "com a finalidade de subverter a ordem do Estado", afirmando ainda que os panfletos e as ações criminosas de sua lavra objetivavam "subverter as instituições e a fazer com que o proletariado tomasse o poder".
9. Vê-se, portanto, que no caso ora em análise impõe-se uma inquietante e crucial questão central: o Recorrente possui fundado temor de perseguição por suas opiniões políticas? Teria o Recorrente, ademais, cometido crimes políticos, ou sofrido perseguição política que resultasse na constatação de ilícitos criminais por ele não perpetrados?
10. Há que se definir os elementos subjetivo e objetivo do temor a que alude o art. 1º, I, da Lei nº. 9.474/97, o primeiro relativo ao foro íntimo do Recorrente e o segundo relacionado com as razões concretas que justifiquem aquele temor.
11. Para que sejam verificados esses elementos, é necessário, em primeiro lugar, tomar como referência o contexto de turbulência política à época dos supostos delitos em que o Recorrente teria incorrido.
12. A repressão legítima, pelo Estado italiano, à militância de esquerda, que pretendeu, pelas armas, derrubar o regime durante os chamados "anos de chumbo" das décadas de 1970 e 1980, traduz-se por fatos públicos e notórios, sobre os quais não existe qualquer contencioso. É de acentuada convulsão social o momento histórico no qual o recorrente foi condenado pela Justiça italiana, como autor e co-autor de homicídios ocorridos entre junho de 1978 e abril de 1979.
13. Durante esse período, a sociedade italiana e o Estado de Direito na Itália foram assediados por um conjunto de movimentos políticos, ações armadas e mobilizações sociais que pretendiam, alguns deles, a instalação de um novo regime político-social. Na esteira do desmantelamento das políticas da era social-democrata então em declínio, formaram-se organizações revolucionárias de ação direta que operavam em zonas "cinzentas", na estreita faixa entre a ação política insurrecional de caráter armado e a ação marginal do "banditismo social".
14. Como é possível e necessário nos Estados Democráticos de Direito, o Estado italiano reagiu. E o fez não só aplicando normas jurídicas em vigor à época, mas também criando "exceções", por meio de leis de defesa do Estado, que reduziram prerrogativas de defesa dos acusados de subversão e/ou ações violentas, inclusive com a instituição da delação premiada, da qual se serviu o principal denunciante do Recorrente.
15. Nos momentos de extrema tensão social e política é comum e previsível que passem a funcionar, mesmo no Estado de Direito, aparatos ilegais e/ou paralelos do Estado, comandados por pessoas que se erigem à condição de justiceiros "de fato", como se representassem o bem público, o que por vezes configura uma forte crise de legalidade: "a lei perde (...) o primado político no sistema"2. Nesses casos, a judicialização da política, paradoxalmente, atinge
1 OUTHWAITE, William; et.al. Dicionário Pensamento Social do Século XX : Rio de Janeiro : Jorge Zahar, 1996. p. 59 relata: "mais bem-sucedido de desenvolvimento econômico capitalista, nos anos 50 e 60, esteve associado a uma grande expansão das atividades econômicas do estado, envolvendo em muitos países a ampliação da propriedade pública e do planejamento econômico, visando mitigar as conseqüências danosas – tanto econômicas quanto sociais – de uma economia de livre empresa e livre mercado inadequadamente regulamentada."
2 "Mas a crise da lei depende também de outras razões, mais estreitamente jurídicas. A primeira delas, o nascimento das constituições rígidas, das constituições como leis não modificáveis. Uma lei superior, portanto, que as leis comuns devem juridicamente respeitar. Decorre daí um controle de constitucionalidade sobre o conteúdo das demais leis, o que explicita ainda mais a garantia da superioridade da constituição. A lei perde, assim, o primado político no sistema, a despeito de que se mantém ainda como o ato normativo politicamente central para o desenvolvimento do ordenamento. E as constituições confiam às leis outros atos garantias democráticas sem que o regime democrático seja colocado em dúvida. Norberto Bobbio reportou-se a esta situação em texto clássico: “normativos igualmente primários: atos do governo, atos dos entes autônomos, atos de competência reservada, dentre outros”. BILANCIA, Francesco. In LEAL, Rogério Gesta. Administração Pública Compartida no Brasil e na Itália: Reflexões Preliminares. Santa Cruz do Sul: EDUNISC, 2008, p. 75. HABERMAS, Jürgen. Era das Transições. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 2003, esp. p.153 ss., quando o autor discute a questão do Estado Democrático de Direito.
3 BOBBIO, Norberto. O Futuro da Democracia: Uma defesa das regras do jogo. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1989, p. 104.
4 Cf. DWORKIN, Ronald, Taking rights seriously, Cambridge: Harvard University Press, 1977, p. 205: "The institution of rights is therefore crucial, because it represents the majority’s promise to the minorities that their dignity and equality will be respected. When the divisions among the groups are most violent, then this gesture, if law is to work, must be most sincere".
"Chamo de ‘criptogoverno’ o conjunto das ações realizadas por forças políticas eversivas que agem na sombra em articulação com os serviços secretos, ou com parte deles, ou pelo menos por eles não obstaculizadas. O primeiro episódio deste gênero na recente história da Itália foi inegavelmente o massacre da Praça Fontana. Não obstante o longo processo judiciário em várias fases e em várias direções, o mistério não foi revelado, a verdade não foi descoberta, as trevas não foram dissipadas. Apesar disto, não nos encontramos na esfera do inconhecível; embora não saibamos quem foi, sabemos com certeza que alguém foi. Não faço conjecturas, não avanço nenhuma hipótese."3
16. Situações de emergência como a italiana – no caso, a luta contra a fúria assassina que redundou no assassinato de Aldo Moro – motivam uma preocupação candente com o funcionamento dos aparatos repressivos. É fundamental, porém, que jamais seja aceita a derrogação dos fundamentos jurídicos que socorrem os direitos humanos.4 No caso italiano, as possibilidades para que os abusos ocorressem estavam dadas pelo próprio ordenamento jurídico forjado nos "anos de chumbo":
"A magistratura italiana foi então dotada de todo um arsenal de poderes de polícia e de leis de exceção: a invenção de novos delitos como a ‘associação criminal terrorista e de subversão da ordem constitucional’ (artigo 270 bis do Código Penal) veio se somar e redobrar as numerosas infrações já existentes – ‘associação subversiva’, ‘quadrilha armada’, ‘insurreição armada contra os poderes do Estado’ etc. Ora, esta dilatação da qualificação penal dos fatos garantia toda uma estratégia de ‘arrastão judiciário’ a permitir o encarceramento com base em simples hipóteses, e isto
5 MUCCHIELLI, Jacques. "Article 41-bis et prisons italiennes". In ARTIÈRES, Philippi, LASCOUMES, Pierre (org.), Gouverner, enfermer – la prison, un modèle indépassable? Paris: Presses de Sciences Po, 2004, p. 246. Tradução livre de "La magistrature italienne s’est ainsi dotée de tout un arsenal de pouvoirs de police et de lois d’excepcion: invention de nouveaux délits telle l’‘association criminelle terroriste et de subversion da l’ordre constitutionnel’ (article 270 bis du Códe pénal) venant s’ajouter et redoubler les nombreuses infractions déjà existantes – ‘association subversive’, ‘bande armée’, ‘insurrection armée contre les pouvoirs de l’État’, etc. Cette dilatation de la qualification pénale des faits assure alors tout une stratégie de ‘rafle judiciaire’ permettant d’incarcérer sur la base de simples hypothèses, et ce pour une detention préventive, permise par l’article 10 du décret-loi du 15 septembre 1979, d’une durée maximale de dix ans et huit mois." Na seqüência, o autor apresenta exemplo extremamente semelhante ao que se passou com o Recorrente: "Un exemple typique de ces pratiques est l’inculpation conjointe pour bande armée et pour le port des armes censées appartenir, par une déduction tout particulière, à la dite ‘bande’ ou les inculpations pour ‘concours psychique’ ou ‘moral’."
6 BOBBIO, Norberto; VIROLI, Maurizio, Direitos e deveres na República: os grandes temas da política e da cidadania. Rio de Janeiro: Elsevier, 2007, p. 105.
7 BOBBIO, Norberto. Op. cit. (nota 3). p. 105.
para detenções preventivas, permitidas pelo artigo 10 do decreto-lei de 15 de setembro de 1979 por uma duração máxima de dez anos e oito meses."5
17. É público e incontroverso, igualmente, que os mecanismos de funcionamento da exceção operaram, na Itália, também fora das regras da própria excepcionalidade prevista em lei. Tragicamente, também no Estado requerente, no período dos fatos pertinentes para a consideração da condição de refugiado, ocorreram aqueles momentos da História em que o "poder oculto" aparece nas sombras e nos porões, e então supera e excede a própria exceção legal. Nessas situações, é possível verificar flagrantes ilegitimidades em casos concretos, pois a emergência de um poder escondido "é tanto mais potente quanto menos se deixa ver"6.
18. Isso é professado em nome da preservação do Estado contra os insurgentes, que não é menos ilegítima do que as ações sanguinárias dos insurgentes contra a ordem. Também me valho da lição de Bobbio:
"Quem decidiu ingressar num grupo terrorista é obrigado a cair na clandestinidade, coloca o disfarce e pratica a mesma arte da falsidade tantas vezes descrita como uma das estratagemas do príncipe. Mesmo ele respeita escrupulosamente a máxima segundo a qual o poder é tanto mais eficaz quanto mais sabe, vê e conhece sem se deixar ver."7
19. Por outro lado, entre os teóricos do Direito que não crêem na democracia liberal, Carl Schmitt, afirma: "Na necessidade suprema o direito supremo prova o seu valor [bewährt sich] e manifesta-se o grau mais elevado da
8 SCHMITT, Carl. O führer protege o Direito. In MACEDO JÚNIOR, Ronaldo Porto. Carl Schmitt e a fundamentação do Direito. São Paulo: Max Limonad, 2001, p. 221.
9 Cf. documentos da Anistia Internacional constantes das fls. 88-91 dos autos de solicitação de refúgio.
10 Cf. CPT/Inf (2007) 26. Rapport au Gouvernement de l’Italie relatif à la visite effectuée en Italie par le Comité européen pour la prévention de la torture et des peines ou traitements inhumains ou dégradants (CPT) du 16 au 23 juin 2006. Estrasburgo: Conselho da Europa, 2007, disponível em .
11 O voto condutor da decisão apresenta a constatação límpida de que houve no caso crime político: "não há dúvida de que se tratava de insubmissão à ordem econômica e social do Estado italiano, por razões políticas, inspiradas na militância do paciente e de seu grupo." Voto do relator, Min. Sidney Sanches, p. 35 (item 21).
Realização judicantemente vingativa desse direito. Todo o direito tem a sua origem no direito do povo à vida. Toda a lei do Estado, toda a sentença judicial contém apenas tanto direito quanto lhe aflui dessa fonte. O resto não é direito, mas um ‘tecido de normas positivas coercitivas’, do qual um criminoso hábil zomba"8. Ou seja, para Schmitt, as conquistas jurídicas humanistas das luzes não valem, porque delas o delinqüente inteligente pode zombar. Para Bobbio, no entanto, quanto mais exceção, menos Democracia e menos Direito.
20. Determinadas medidas de exceção adotadas pela Itália nos "anos de chumbo", por sinal, ressoam ainda hoje nas organizações internacionais que lidam com direitos humanos. A condenação a determinados procedimentos e penas motivou, de um lado, relatórios da Anistia Internacional9 e do Comitê europeu para a prevenção da tortura e das penas ou tratamentos desumanos ou degradantes10 e, de outro, a concessão de asilo político a ativistas italianos em diversos países, inclusive não europeus.
21. Outros evadidos da Itália por motivos políticos vinculados à situação do país na década de 1970 e início dos anos 1980, mesmo período da fuga do Recorrente, não foram extraditados para o país pelo Supremo Tribunal Federal. Note-se, nesse sentido, a Extradição nº 694, na qual a condenação italiana, como no caso do Recorrente, apontava o objetivo do extraditando de "subverter violentamente a ordem econômico e social do Estado italiano, de promover uma insurreição armada e suscitar a guerra civil no território do estado, de atentar contra a vida e a incolumidade das pessoas para fins de terrorismo e de eversão da ordem democrática."11
22. A preocupação com os limites do poder de "exceção" deve ocorrer – mesmo nos seus momentos mais duros – tanto no que se refere às normas de ordem material, como naquelas de ordem processual. Todas as normas, sejam
12 "A necessidade, a razoabilidade, a proporcionalidade a proibição do excesso e do abuso devem servir de escudo para limitar o absolutismo, como se vê na atual legislação pátria sobre a custódia cautelar em casos de extradição" (MIRANDA, Jorge; SILVA, Marco Antonio Marques da (coord.), Tratado luso-brasileiro da dignidade humana, São Paulo: Quartier Latin, 2008. p. 573). "A proporcionalidade consiste em uma estrutura formal de relação meio-fim, a razoabilidade traduz uma condição material para aplicação individual da justiça. Daí porque a doutrina alemã, em especial, atribui significado normativo autônomo ao dever de razoabilidade. IN: ALBRECHT, apud BARROS, Suzana de Toledo. O principio da proporcionalidade e o controle de constitucionalidade das leis restritivas de direitos fundamentais. Brasília, Jurídica, 1996. p. 69".
13 DWORKIN, Ronald, Taking rights seriously, Cambridge: Harvard University Press, 1977, p. 222: "The simple Draconian propositions, that crime must be punished, and that he who misjudges the law must take the consequences, have an extraordinary hold on the professional as well as the popular imagination. But the rule of law is more complex and more intelligent than that and it is important that it survive."
14 A esse respeito convém trazer à baila que "O asilo territorial, que não deve ser confundido com o diplomático, pode ser definido como a proteção dada por um Estado, em seu território, a uma pessoa cuja vida ou liberdade se acha ameaçada pelas autoridades de seu país por estar sendo acusada de haver violado a sua lei penal, ou, o que é mais freqüente, tê-lo deixado para se livrar de perseguição política.", SILVA, G.E. do Nascimento e, Manual de Direito Internacional, Editora Saraiva, 15ª Edição, 2002, p. 376.
Excepcionais ou não, carregam, no sistema de direito orgânico à democracia, o permanente apelo à "razoabilidade" e à "proporcionalidade"12. É fundamental, portanto, que aos que desobedecem a lei sejam estendidas todas as garantias da ordem jurídica democrática13.
23. O Recorrente sentiu diretamente os efeitos da legislação de exceção italiana. As acusações sobrepostas a que respondeu foram possibilitadas pelos procedimentos e tipos penais singulares desenvolvidos pelo Estado requerente, em grande parte aplicáveis por força do envolvimento do Recorrente no grupo conhecido como PAC (Proletários Armados para o Comunismo).
24. Após fugir da Itália em 1981, o Recorrente foi condenado pela Justiça do país, como autor e co-autor de homicídios ocorridos entre junho de 1978 e abril de 1979. Vislumbra o Recorrente, no caso, falta de oportunidades para que desenvolvesse sua ampla defesa. Nesse sentido, é de se notar que as acusações não buscam esteio em provas periciais, fundamentando-se precipuamente em uma testemunha de acusação implicada pelos próprios fatos delituosos, qual seja, o delator premiado Pietro Mutti.
25. Poderia argüir-se que as acusações que pesam sobre o Recorrente dizem respeito à violação da lei penal comum, não fosse o fato de que tais acusações constituem, em alguns casos, a "justificativa" jurídica do Estado requerente, sem a qual as chances de entrega do nacional requerido ficaram indubitavelmente prejudicadas14.
15 Primeiro Tribunal do Júri de Apelação de Milão. Sentença 17/90 – nº 86/89 e 50/85 do Registro Geral, de 13/12/1988. Item 49 (antes 50). Expressão idêntica à sublinhada acima encontra-se no item 114 (antes 123) dos mesmos autos.
16 Cossiga, porém, foi ignorado, mesmo quando exerceu a presidência do Conselho italiano, ao alertar para os perigos da manutenção destas medidas e defender uma anistia ampla para os perseguidos nos "anos de chumbo". Cf. MUCCHIELLI, Jacques. "Article 41-bis et prisons italiennes". In ARTIÈRES, Philippi, LASCOUMES, Pierre (org.), Gouverner, enfermer – la prison, un modèle indépassable? Paris: Presses de Sciences Po, 2004, p. 247.
26. É sintomático, nesse sentido, que as decisões condenatórias, ao arrolar os tipos penais que o Recorrente teria praticado, apontem serem todas integrantes de "um só projeto criminoso, instigado publicamente para a prática dos crimes de associação subversiva constituída em quadrilha armada, de insurreição armada contra os poderes do Estado, de guerra civil e de qualquer maneira, por terem feito propaganda no território nacional para a subversão violenta do sistema econômico e social do próprio País"15.
27. Segundo o Recorrente, a natureza política de seus crimes é não apenas evidente como confirmada pela maneira de o Estado requerente haver conduzido os processos criminais e os pedidos de extradição. Corroboram essa perspectiva as qualificações dadas a seus atos pelos processos de condenação em primeira instância e o fato de ser preso na Divisione investigazioni generali operazioni speciali, onde se lotavam os presos políticos dos "anos de chumbo".
28. O Recorrente junta aos autos carta de Francesco Cossiga, influente político italiano nos anos 1970, que participou ativamente da elaboração das leis de emergência italianas16. Hoje Senador da República italiana, Cossiga atesta que os "subversivos de esquerda" passaram a ser tratados, na Itália dos "anos de chumbo", como "simples terroristas e talvez absolutamente como ‘criminosos comuns’." O missivista assevera, contudo, a impropriedade desta classificação impingida ao Recorrente:
"Vocês todos, de esquerda e de direita eram ‘revolucionários impotentes’: em particular vocês subversivos de esquerda que acreditavam com actos de terrorismo, não certamente de poder ‘fazer’, mas pelo menos ‘escorvar’ a revolução, conforme os ensinamentos de Lenin, que condenava em via de princípio o ‘terrorismo’, mas que justificava ou melhor achava útil e ‘legítimos’
17 Carta vertida para o português, constante da fls. 55 dos autos de solicitação de refúgio.
18 BOBBIO, Norberto et.al, Dicionário de Política, Brasília: Editora Universidade de Brasília, 2ª edição, 1986, p. 1185: "Na prática, por um lado, o moderno Estado de direito procurou sempre limitar ao máximo, quando não eliminar, a possibilidade da existência de alguém que decida acerca do Estado de exceção e que possua poderes excepcionais (a moderna figura do estado de sítio é uma ditadura confiada, isto é, um poder constituído), enquanto, por outro lado, historicamente, o Estado de exceção tem sido proclamado por quem não possuía habilitação para tanto, e que se tornou soberano somente na medida em que conseguiu restabelecer a unidade e a coesão política."
Dum ponto de vista do marxismo-lenininsmo, os atos de terrorismo só se ‘propedêuticos’ a revolução e capazes de conduzi-la. Os crimes que a subversão de esquerda e a eversão de direita cumpriram, são certamente crimes, mas não certamente ‘crimes comuns’, porém ‘crimes políticos’."17
29. A respeito da criminalidade política e de sua caracterização em face dos instrumentos de cooperação internacional, observe-se o ensinamento de Francisco Rezek, Direito Internacional Público, 11ª ed., São Paulo: Saraiva, 2008, pp. 214-215:
"Asilo político é o acolhimento, pelo Estado, de estrangeiro perseguido alhures – geralmente, mas não necessariamente, em seu próprio país patrial – por causa de dissidência política, de delitos de opinião, ou por crime que, relacionados com a segurança do Estado, não configuram quebra do direito penal comum. Sabemos que no domínio da criminalidade comum – isto é, no quadro dos atos humanos que parecem reprováveis em toda parte, independentemente da diversidade de regimes políticos – os estados se ajudam mutuamente, e a extradição é um dos instrumentos desse esforço cooperativo. Tal regra não vale no caso da criminalidade política, onde o objetivo da afronta não é um bem jurídico universalmente reconhecido, mas uma forma de autoridade assentada sobre ideologia ou metodologia capaz de suscitar confronto além dos limites da oposição regular num Estado democrático."
30. Não resta a menor dúvida, independentemente da avaliação de que os crimes imputados ao recorrente sejam considerados de caráter político ou não – aliás inaceitáveis, em qualquer hipótese, do ponto de vista do humanismo democrático – de que é fato irrefutável a participação política do Recorrente, o seu envolvimento político insurrecional e a pretensão, sua e de seu grupo, de instituir um poder soberano "fora do ordenamento"18. Ou seja, de constituí-lo pela via revolucionária através da afronta política e militar ao Estado de Direito.
19 ARENDT, Hannah, Entre o passado e o futuro. 2a ed. São Paulo: Perspectiva, 1972, p. 34.
20 VERDÚ, Pablo Lucas, La Constitución Abierta y sus «enemigos», Madrid: Beramar, 1993, p. 91: "De todo lo expuesto cabe deducir que la apertura impregna a casi todos textos constitucionales democráticos. A mi italiano, aliás, motivos estes que levaram o presidente Mitterrand a acolher o recorrente e vários militantes da extrema esquerda italianos na mesma situação.
31. Aspecto muito importante aqui, para examinar a pertinência de concessão do refúgio, é que o Recorrente esteve abrigado em solo francês por razões políticas aceitas por decisão soberana do chefe de Estado daquele país. Aliás, na oportunidade o presidente François Mitterrand acolheu os "subversivos" sob a condição categórica de que fizessem a renúncia formal à luta armada.
32. Não é singelo o fato de que o Recorrente tenha feito expressa opção por renunciar aos meios não pacíficos de manifestação política. Hannah Arendt alerta que "se a mente é incapaz de fazer a paz e de induzir a reconciliação, ela se vê de imediato empenhada no tipo de combate que lhe é próprio"19 – e por isso mesmo a autora ressalta a dimensão política dos juízos retrospectivos. Entre o passado e o futuro, o homem conta apenas com si mesmo para ceder ou resistir aos impulsos de amor e ódio, fúria ou compaixão, impulsos que se confundem quando destino e motivações, desejos e princípios são mesclados.
33. Após a renúncia à luta armada, o Recorrente permaneceu na França, por um período de mais de uma década. Constituiu família, casando-se e tendo duas filhas, vivendo pacificamente como zelador e escritor. O Recorrente, em suas próprias palavras, teria permanecido na França se pudesse, onde inclusive formulou pedido de naturalização e gozava de um asilo político informal.
34. A situação do Recorrente foi alterada durante o governo do presidente Jacques Chirac. O abrigo do recorrente, no território francês, foi desconstituído e então anulado por razões eminentemente políticas. A mudança de posição do Estado francês, que havia lhe conferido guarida como militante político de extrema esquerda, foi o motor único de seu deslocamento para o Brasil. A extradição do Recorrente à Itália, que primeiro havia sido negada na França por razões políticas, foi posteriormente concedida pelas mesmas razões.
35. O Brasil, em vista desses acontecimentos políticos (mormente a mudança de governo na França), passou a ser "depositário" de um cidadão, de fato expulso de um território por decisão política, que se contrapôs à decisão anterior, a qual havia o reconhecido como perseguido político20.
Entender esto significa varias cosas a) La apertura constitucional evidencia que una Constitución no está sola porque la interdependencia internacional se ha incrementado notablemente, en los últimos tiempos aunque debe incrementarse. La recepción de contenidos internacionales en los documentos fundamentales; la referencia a los mismos para la interpretación de los derechos humanos (art. 10,2 C.E.); la incorporación Del derecho comunitario en los ordenamientos europeos, lo corroboran. Ya no cabe hablar de soledad de la Constitución, y considerarla como un Universo cerrado y excluyente sino de un pluriverso basado en el pluralismo interno, internacional y comunitario."
36. Por motivos políticos o Recorrente envolveu-se em organizações ilegais criminalmente perseguidas no Estado requerente. Por motivos políticos foi abrigado na França e também por motivos políticos, originários de decisão política do Estado Francês, decidiu, mais tarde, voltar a fugir. Enxergou o Recorrente, ainda, razões políticas para os reiterados pedidos de extradição Itália-França, bem como para a concessão da extradição, que, conforme o Recorrente, estariam vinculadas à situação eleitoral francesa. O elemento subjetivo do "fundado temor de perseguição" necessário para o reconhecimento da condição de refugiado está, portanto, claramente configurado.
37. À luz do que foi brevemente relatado, percebe-se do conteúdo das acusações de violação da ordem jurídica italiana e das movimentações políticas que ora deram estabilidade, ora movimentação e preocupação ao Recorrente, o elemento subjetivo, baseado em fatos objetivos, do "fundado temor de perseguição", necessário para o reconhecimento da condição de refugiado.
38. A título de esclarecimento, aponta-se a qualidade política da decisão sobre o refúgio. Segundo Francisco Rezek, Direto Internacional Público, São Paulo: Renovar, 2º vol., 15ª ed. 2004, verbis:
"A qualificação de tais indivíduos como refugiados, isto é, pessoas que não são criminosos comuns, é ato soberano do Estado que concede o asilo. Cabe somente a ele a qualificação. É com ela que terá início ou não o asilo."
39. É bom que reste claro que o caráter humanitário, que também é princípio da proteção internacional da pessoa humana, perpassa o refúgio, implicando o princípio in dubio pro reo: na dúvida, a decisão de reconhecimento deverá inclinar-se a favor do solicitante do refúgio.
40. Nesse diapasão, a Constituição Federal de 1988 estabelece em seu art. 4º a política de relações internacionais a ser observada no País:
Art. 4º A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos seguintes princípios: (...)
X - Concessão de asilo político.
41. As normas internacionais que o Brasil está obrigado a observar consignam, ainda, no capítulo da proteção da pessoa humana, que o pedido de refúgio deve ser julgado pela Autoridade com atenção detida e serena ao caráter protetivo da medida. Nesse contexto, transcrevo o art. XIV da Declaração Universal dos Direitos do Homem, que inspirou os princípios das convenções supervenientes, bem como a Declaração sobre asilo territorial aprovada pela Assembléia da ONU, respectivamente:
Todo homem, vítima de perseguição, tem o direito de procurar gozar asilo em outros países.
Toda pessoa vítima de perseguição tem o direito de procurar e de gozar asilo em outros países.
42. Por fim, assinala-se que não há impedimentos jurídicos para o reconhecimento do caráter de refugiado do Recorrente. Embora se reporte a diversos ilícitos que teriam sido praticados pelo Recorrente, em nenhum momento o Estado requerente noticia a condenação do mesmo por crimes impeditivos do reconhecimento da condição de refugiado, estabelecidos no art. 3º, inc. III, da Lei nº. 9.474/97, o que importa no afastamento das vedações estabelecidas no citado comando legal:
Art. 3º Não se beneficiarão da condição de refugiado os indivíduos que: (...)
III - tenham cometido crime contra a paz, crime de guerra, crime contra a humanidade, crime hediondo, participado de atos terroristas ou tráfico de drogas;
43. Concluo entendendo, também, que o contexto em que ocorreram os delitos de homicídio imputados ao recorrente, as condições nas quais se desenrolaram os seus processos, a sua potencial impossibilidade de ampla defesa face à radicalização da situação política na Itália, no mínimo, geram uma profunda dúvida sobre se o recorrente teve direito ao devido processo legal.
44. Por conseqüência, há duvida razoável sobre os fatos que, segundo o Recorrente, fundamentam seu temor de perseguição.
45. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso para reconhecer a condição de REFUGIADO a CESARE BATTISTI, nos termos do art. 1º, inc. I, da Lei nº. 9.474/97.
46. Notifique-se ao CONARE, para ciência do solicitante, ao Departamento de Polícia Federal e à Secretaria Nacional de Justiça, para as providências devidas, bem assim ao Egrégio Supremo Tribunal Federal, para as providências cabíveis.


Brasília 13 de janeiro de 2009.

TARSO GENRRO

Ministro de Estado da Justiça

Eis a íntegra do artigo de Dallari, Refugiados, uma decisão soberana do Brasil, publicado na Folha de S. Paulo de 19/01:

Uma decisão recente do ministro da Justiça do Brasil, concedendo o estatuto de refugiado ao cidadão italiano Cesare Battisti, merece especial atenção por sua importância dos pontos de vista ético, jurídico e político.É oportuno lembrar que toda a história brasileira, desde 1500, é uma constante de concessão de abrigo e proteção a pessoas perseguidas por intolerância política, discriminação racial ou social e outros motivos injustos, como o uso arbitrário da força.Assim, na segunda metade do século 20, pessoas perseguidas por se oporem aos regimes comunistas estabelecidos na Europa oriental, assim como outras que sofriam perseguição em países vizinhos do Brasil, por se oporem a governos fortes de extrema direita, procuraram e obtiveram no Brasil a condição de refugiados.Deixando de lado as conveniências políticas e dando a devida prioridade aos valores do humanismo, o Brasil decidiu soberanamente, com independência, e concedeu aos perseguidos a proteção de sua ordem jurídica. No caso de Cesare Battisti estão presentes os requisitos fundamentais para a concessão do estatuto de refugiado, como fica evidente pela análise dos antecedentes do caso e pelo exame sereno dos dados do processo, minuciosamente expostos pelo ministro da Justiça.Há pouco mais de 30 anos, Battisti foi militante de um grupo político armado, de orientação esquerdista. O governo italiano da época, de extrema direita, estabeleceu o sistema de delação premiada, pelo qual os militantes que desistissem da luta armada e delatassem seus companheiros ficariam livres de punição. Com base numa delação premiada, Battisti foi acusado da prática de quatro homicídios, sendo condenado à prisão perpétua.Além de só haver como prova as palavras do delator, dois desses crimes foram cometidos no mesmo dia, em horários muito próximos e em lugares muito distantes um do outro, de tal modo que seria impossível que Battisti tivesse participado efetivamente de ambos os crimes.Dispõe expressamente a lei nº 9.474, de 1997, que trata do Estatuto dos Refugiados no Brasil, que será reconhecido como refugiado o indivíduo que, devido a fundados temores de perseguição por motivo de opinião política, encontre-se fora de seu país de nacionalidade e não queira acolher-se à proteção de tal país.Além daquela contradição no julgamento de Battisti, outro dado revelador é a enxurrada de ofensas e agressões de ministros do governo italiano ao governo e ao povo do Brasil pela decisão do ministro Tarso Genro.Reagindo com extrema violência, o ministro do Exterior convocou o embaixador brasileiro na Itália para exigir a mudança da decisão, ao mesmo tempo em que outros ministros fizeram ameaças de represália, inclusive de boicote da participação do Brasil em reuniões internacionais.Entretanto, muito recentemente o governo da França negou atendimento a pedido italiano de extradição de Marina Petrella, que, como Battisti e na mesma época, foi militante de um movimento político armado, as Brigadas Vermelhas. O governo italiano acatou civilizadamente a decisão francesa, reconhecendo tratar-se de um ato de soberania. Qual o motivo da diferença de reações? O governo e o povo do Brasil não merecem o mesmo respeito que os franceses?Essa diferença de comportamento dos ministros italianos deixa mais do que evidente que é plenamente justificado o temor de Battisti de sofrer perseguição por motivo político. A reação raivosa dos ministros italianos não dignifica a Itália e elimina qualquer dúvida.Por tudo quanto foi exposto, a decisão de Tarso Genro merece todo o acatamento. Expressa em linguagem clara e objetiva, deixando evidente sua inspiração humanista, livre de preconceitos ou parcialidade de qualquer espécie, a decisão tem sólido fundamento em dados concretos e faz aplicação correta e precisa dos preceitos jurídicos que regem a matéria.A concessão do estatuto de refugiado a Cesare Battisti é um ato de soberania do Estado brasileiro e não ofende nenhum direito do Estado italiano nem implica desrespeito ao governo daquele país, não tendo cabimento pretender que as autoridades brasileiras decidam coagidas pelas ofensas e ameaças de autoridades italianas ou façam concessões que configurem uma indigna subserviência do Estado brasileiro.

BREVE COMENTO: Não há muito à acrescer de tudo que restou sobejadamente posto até o presente. Uma decisão acertada, de cunho político, que indubitavelmente resta abarcada não apenas pelo Estatuto de Refugiado como pela Constituição da República Federativa do Brasil.
Não se pode, sob pena de parcialidade político-ideológica contestar a decisão de Tarso Genro, pautada no ordenamente nacional ou à que somos signatários, que se subsume ao caso concreto indelevelmente.
Alegar não ter os crimes origem política restou-se de todo afastado, segundo se pode depreender da própria tipificação que Cesare se precebeu incurso segundo as leis Italianas, em se observando a fundamentação das decisões judiciais de que o condenaram a prisão perpétua.
Tudo que foi dito até o momento não quer significar meu apreço por este tipo de decisão, muito pelo contrário, legislações, ordenamentos como o nosso, propiciam em todos os graus e níveis de hierarquia jurisdicional o acolhimento da impunidade. Regimes de exceção espalharam-se pelo mundo no século passado. As ditaduras de direita e de esquerda acabaram por legitimar a prática de crimes, que receberam a adjetivação de políticos como forma de legitimar sua impunidade.
Defendo, que crimes considerados políticos sejam obrigatoriamente julgados por Tribunais Internacionais especializados, para que desta forma sejam apurados com a máxima imparcialidade, e não simplesmente agasalhados com a presunção de serem legítimos quando submetidos ao sumaríssimo crivo de países, que se vangloriam de seus terroristas, ou guerrilheiros na forma que preferem externar.
Não é novidade alguma, a imensa simpatia que nutre o atual governo brasileiro pelos movimentos de cunho comunista, e que a Cuba, que já foi de Fidel, poderia ser o Brasil, caso a ditadura de direita não tivesse tomado o poder em 64 e se antecipado à de esquerda em seu golpe de misericórdia... Pode-se dizer, sem receio de ventilar da minha parte qualquer ranço político-partidário, que hoje o Brasil é governado pelo terror de outrora, ops, guerrilha, em um momento em que a ditadura do comunismo se faz representar tão só através de escassas sub-nações, que juntas formariam a vala do mundo. Por isso, o Brasil permanece com uma constituição democrática propiciadora do desenvolvimento através do capitalismo , que vem provocando a inibição de uma ação do poder pautada na ideologia de uma sociedade ditadora de esquerda.
Gostaria de saber, se a mesma decisão que concedeu asilo político a um terrorista de esquerda seria proferida em se tratando de um terrorista de direita que tivesse pedido de extradição de um país comunista como Cuba por perseguição política... Será que considerariam crime político ou seria extraditado como um criminoso comum? Cubanos já requereram asilo político no Brasil e restaram sumariamente extraditados sem a devida cobertura da imprensa tupiniquim...
Por isso entendo, que crimes políticos são crimes e não devem ser acobertados por nenhuma legislação, sendo plausível considerar se comprovadamente político uma redução de pena, mas não a impunidade através de pedidos de asilos ideológicos. Há uma inequívoca necessidade de ofertar-se efetiva competência aos Tribunais internacionais para que se proceda a julgamentos imparciais e segundo a melhor justiça, que se basearia em leis gerais supra-nacionais onde todas as nações seriam obrigatoriamente signatárias e não haveria de se falar em soberania ou competência constitucional para apreciação... Porém não é bem assim que funciona...
Um detalhe há que se destacar: As relações internacionais entre as diversas soberanias, em geral são regidas pelos princípios da reciprocidade e da cooperação. Será que as autoridades Italianas se recordam do pedido feito pelo Brasil de extradição do Cacchiola? Só tivemos acesso a este cidadão quando este fugiu da Itália...