02 outubro, 2007

A visão da política, vista sob a ótica de um político...

O Brasil vive hoje a política do continuismo, ou seja, as coisas são assim e assim devem continuar a ser... Hoje ser político é ter uma autorização "supra-constitucional" para praticar crimes, que aos cidadãos comuns são vedados. Sabemos, que tal permissivo vai muito além da imunidade parlamentar, encontrando sua origem nos costumes, uma das fontes do direito... Está aí a verdadeira fundamentação política da impunidade parlamentar. Dos costumes, como uma das fontes do direito, se utiliza quando se vislumbra a falta de norma abstrata para regular o caso concreto. Como seres diferentes, os parlamentares não sub-rogam-se as leis comuns e como são poucos os dias úteis no calendário desses seres, não encontraram tempo para feitura de um diploma legal para classe. Está aí a falsa sensação de impunidade que paira na mente dos comuns. Enquanto este diploma supra-constitucional nao se perpetrar estarão eles regrados tão apenas pelos costumes de seus membros, que por vezes revelam-se de profunda incompatibilidade para com o ordenamento de nós comuns, mas possui uma lógica própria.
Desses costumes, pode-se perceber alguns de forma bem nítida, e destes captar ensinamentos para que possamos entende-los com maior propriedade:
1º) Um sentido corporativo muito forte entre seus membros, um sentimento que um pai deve nutrir por seu filho, estando sempre pronto para entender e apoiar seus erros e deslizes. Um companheirismo invejável onde um lava a mão do outro e todos lavam o que precisarem em prol de um certo crescimento, entre os comuns chamam isso de lavagem de dinheiro.
2º) Lá tudo se resolve com uma boa conversa. Cada um cede um pouquinho e todos ganham bastante, isso eles costumam propagar que é fazer política. É a nossa corrupção, que nos costumes de seus membros não constitui crime;
3º) Por lá os julgamentos são parciais, as pessoas que decidem o destino de seus pares são amigos, até porque costumam fazem muitos amigos, e nada melhor que um amigo, que entende e conhece as razões do outro para emitir um juízo de valor;
4º) Além do sentido corporativo que mencionei no 1º item trazem eles arraigados a união para o alcançar de seus fins. Entre os comuns chamam de formação de quadrilha, mas por lá há o respeito da máxima de que a união faz a força.
Há sem dúvida outros costumes, mas citá-los tornaria esta crônica um tanto maçante, entendendo ainda, que este ordenamento faltante não é de minha atribuição explicitar.
Mudando de assunto um pouquinho, interpelaram-me hoje perguntando caso a Granja do Torto não tivesse este nome se as coisas seriam diferentes? E a menina ainda perguntou-me se o Lula tivesse os cinco dedos se isso mudaria a história que vem sendo escrita em nossa política contemporânea.
Perguntas estranhas e de difícil resposta, mas respondi, que de repente se não fosse Granja, a Mônica "Valoso" não teria se aproximado de "Caralhos", pois se conheceram lá, ele tortinho de tanto tomar uns gorós da cachaça, que tem uma mula como divulgadora, o que alías é outro despautério, uma granja hospedar uma mula... Quanto ao Lula ter um dedinho a mais ele conseguiria contar até 5, e a quinta prioridade de seu governo seria exatamente o combate a corrupção... Por isso respondendo, acho que sim, tudo seria diferente...

Um comentário:

Cantinho Bom disse...

Tenho inveja dessa irmandade... tão unidos, tão amigos...e qdo alguém não entra no esquema, não leva o seu, resolve dar uma de bom brasileiro, preocupado com o povo, com os bons costumes, como o nosso querido Jefferson...

Adorei o texto, bem sarcástico do jeito que eu gosto!