13 novembro, 2010

HIPOCRISIA, A ALMA DO NEGÓCIO...

Hipocrisia, palavra de parcas sílabas, mas com fluência plurissiginficativa. Particularmente considero-a em um grau de repugnância que tangencia o insuportável, mas desgraçadamente em uma de suas representatividades ela se denota ao meio social politicamente correta... Quem ousaria lançar o levante que nem todos mereceriam as mesmas oportunidades nesta econômica, política, profissional estratificada sociedade? Quem ousar será solenimente achincalhado, esteriotipado de preconceituoso e será xingado por seus antepassados de pai e mãe... Quando alguém surge de peito aberto e qualifica a maior parcela da sociedade como ignóbil, mal letrada, marginalizada cultural, recebe gratuitamente as mesmas adjetivações nada gentis ou cordiais... Estes seres adjetivadores em geral, se pautam unidos no campo da simploriedade intelectual e quando trazem fundamentos, estes se apresentam extremamente fragilizados por uma imoral hipocrisia para inglês ver...
Temos portanto, para sermos politicamente corretos, que acharmos natural uma democracia, em quase sua totalidade desconhecida da maioria da sociedade, a eleição por exemplo de um analfabeto funcional pela metrópole mais rica do país como uma oportunidade que deve ser dada a todos, sem qualquer distinção, pois isto seria democracia... Na realidade estes defensores não conhecem a amplitude da democracia, que não precisa ser disponibilizada em seu viés auto-destrutivo da sociedade para transparecer sua existência...
Temos que entender que fazemos parte de uma democracia de isonomia formal, o modelo mais hipócrita para a formação de uma opinião popular desqualificada, ainda que materialmente sejamos de realidades tão díspares, que por vezes se mostram inconciliáveis no aspecto finalístico desta desejada isonomia...
Esta é a democracia da mais pura e solene hipocrisia, que oportuniza ao palhaço a grande chance de fazer o seu número circense em um pauco especialmente armado para as nossas palhaçadas, mas completamente inapropriado para o número apresentado... Fazemos parte de uma democracia que nos fornece todas as armas para a batalha, mas que com o ardil de um sistema de poder maquiavélico, não nos disponibiliza as munições para vencermos qualquer guerra... O hipócrita, mas politicamente correto, aparece nestes momentos, bradando aos quatro ventos, que todos devem ter democraticamente direito as mesmas armas, ainda que só uma ínfima parcela ganhe a oportunidade de municiá-las... E de que servem armas sem munição? Aos hipócritas é a oportunidade de falar do que não conhecem, tratar a democracia em uma acepção medíocre e apequenada fazendo uma sociedade que quer, mas não sabe muito bem o que nem como conseguir se distanciar ainda mais das melhores percepções para alcançarem seus objetivos e se perder nas mais profundas omissões...
Esses grandes idiotas tomados pela hipocrisia não conseguem perceber que não se pode começar pelo fim... A proximidade de uma igualdade material de oportunidades deve perpassar por uma desigualdade formal, como um antecedente lógico, pois nos encontramos em uma sociedade com a grande maioria de seus indivíduos despidos de qualquer munição para sequer dar o primeiro tiro, dar início a batalha... Vencer a guerra? Só se for em meio a hipocrisia politicamente correta...
A única igualdade formal que pode gerar uma aproximação futura de uma sonhada igualdade material de oportunidades seria oportunizar o direito a uma educação de qualidade, democratizando cultura, onde as diferenças se amesquinhariam ao campo das individualidades, o que paulatinamente, ainda que a passos de cágado, iríamos alcançando o discernimento para primeiro nos autodeterminarmos e em posso posterior ter a competência de influenciarmos positivamente, de per si, no futuro de toda uma sociedade sem fazermos cagadas...
Até lá as armas sociais da democracia permanecerão desconhecidas e produzirão apenas disparos com balas de festim, para a hipocrisia politicamente correta permanecer no bálsamo dos prazeres da eterna incapacidade letárgica socio-cultural de mudanças...

8 comentários:

Marques Junior disse...

Este texto deveria ser publicado! É de um brilhantismo arrebatador.
Sarmento,
Não há como te elogiar se maneira suficiente.

Minha mais profunda admiração.

Coelho disse...

hahaha
Caro escritor, Se 3% dos que lerem este texto entenderem do que vc está falando dê-se por satisfeito. Como disse o amigo em cima, você foi brilhante, mas...

Gustavo Mariã disse...

Tenho só 13 anos. Li e não entendi nada hehehe
Mostrei ao meu pai ele se amarrou hehehe

Anônimo disse...

Um show com as ideias e as palavras!

Marquinhos Sabá disse...

Muito bem construído, com opinões fortes, polêmicas e irreverentes!

Abraço.

Marcelo Carneiro disse...

Nada a acrescentar. É sem dúvida o povo brasileiro, descrito e em imagem!

Juliana disse...

Sou uma "BLOGUISTA" novata rsrrss
Quero dizer q sofro preconceito pelo meu ponto de vista...
Ganhou mais uma leitora!!! rsrss

Anônimo disse...

Sua lingua é felina, ou melhor, sua escrita. Vc deve incomodar a maioria, hehehe



Sorte e parabens