09 outubro, 2012

IRMANADOS BRASIL E VENEZUELA POR LULA E CHÁVEZ


A América Latina está em franco processo de auto-implosão. O atraso ideologicamente democratizado e organizado parece estar sendo agasalhado pelos povos latinos a partir de políticas que ofertam indignidades confiando em ignorâncias.
Parece que o velho “socialismo” em sua versão mais rudimentar e mal acabada da estória ganha um espaço tendente à monopolização neste terreno continental, onde se promete uma maior igualdade na distribuição de rendas deixando todos igualmente na pobreza. Conquista-se das formas mais vis a dependência da maior parcela da sociedade deixando-as em meio as mais profundas desnutrições intelectual, moral e de dignidade, para, em ato sequencial, ofertar-lhes paliativas e chantagistas soluções de caráter temporário, temerário e indigno.
Este, ao que tudo está a indicar, parece ser o modo politicamente incorreto planificado pelo Foro de São Paulo, com maior capacidade de ludibriar a parcela venal de cada cidadão empobrecido por suas percepções e leituras. Notadamente e intencionalmente caminhou-se para onde as razões do mais profundo desespero houvera incinerado qualquer medida de autoestima que capacitaria a sociedade ao poder da negação de um apodrecimento ético individual sempre ofertado.
Na mesma semana em que internamente a maioria da sociedade brasileira pareceu se importar menos do que se esperava com o modo putrefato de se fazer política no país, quando foi chamada a manifestar-se nas urnas, na Venezuela, avalizou-se o caudilho chavista como a política a ser perpetrada.
Se na Terra Brasilis o escândalo do mensalão não impediu a eleição de representantes do partido, que se organizou criminalmente para fazer política, elegendo em 1º turno inúmeros prefeitos e vereadores e colocando na disputa, em 2º turno, outros tantos prefeitos, entre eles no maior estado do país, na Venezuela, o resultado final não discrepa de um triste fim.
Chávez foi novamente reeleito. O grande monopolizador de uma imprensa por ele estatizada conseguiu reeleger-se em meio ao caos e a miséria social. Como? Fomentando a fome e distribuindo um prato de comida às vésperas do pleito para matá-la, construindo moradias e distribuindo aos que se comprometessem a reeleger Hugo Chávez e trabalhar em sua campanha, doando eletrodomésticos e eletrônicos importados da China na mesma esteira de objetivo, transportando eleitores “caridosamente” às suas sessões onde profeririam seus votos, com os presidentes de mesa entrando nas cabines de votos para “auxiliar” os eleitores a votarem “correto”. Nada mais livre e democrático na visão de um Coronel...
O opositor Capriles? Bem, este viu seus comícios terminados em violência por iniciativa policial. Viu seus pronunciamentos televisionados cortados quando veiculados pelas parcas mídias privadas ainda permitidas, por força da TV estatal (VTV), restabelecendo sua programação veiculando algum pronunciamento promocional a Chávez. Mas não é só. No mês que antecedeu o pleito, Chávez foi a TV Estatal e declarou, que caso derrotado nas urnas, todos deveriam preparar-se para o início de uma guerra civil do “povo” contra a “burguesia”...
Elegeu-se o centralizador e antidemocrático Chávez em meio a uma Venezuela violenta e insegura, refém de seus poços de petróleo e com suas instituições de poder sem qualquer autonomia e independência que se expresse em desacordo ao poder despótico chavista. O Judiciário e o legislativo não falam por suas convicções, mas repetem as convicções de um poder executivo central, a semelhança do que procurou implantar o PT por aqui. Melhor dizendo, na Venezuela chavista, a democracia da fala pertence com exclusividade ao Estado caudilho, à sociedade apenas cabe expressar-se através da lógica do “fala que eu te escuto” no papel de ouvinte. Sua política internacional se faz subsumir a duas únicas vertentes débeis de atuação: a oposição ao imperialismo Yankee, custe o que custar e a imposição de seu estadismo estatizador para quebrar contratos e incorporar patrimônios alheios às suas “soberanias”, sob os aplausos de Lula.
A sociedade vive em meio a inflações galopantes e com uma moeda subvalorizada. Faltam produtos de necessidade básica no comércio, que convive em meio a apagões constantes e sem saneamento básico. Com um funcionalismo público brutalmente inchado e uma burocracia quase que intransponível, convivem ainda com a ausência de moradia (digna ou não) como uma realidade insofismável. Some-se ainda uma economia basicamente monoprodutora (petróleo), com um déficit fiscal retumbante e nada atraente ao capital internacional, por óbvias razões...
Esta é a formatação do “modus operandi” da política venezuelana, que continuamente é receptora de rasgados elogios de Lula referendando como uma legítima democracia a ser plagiada... Lula, que internamente firmou sua opinião no sentido de que o povo brasileiro estaria mais interessado nos destinos do Palmeiras no Campeonato Brasileiro e do Corinthians no mundial em Tóquio, que no julgamento do mensalão... E não é que parece que estava ele com a razão?! São Paulo, como se viu no 1º turno das eleições, parece ter mais com o que se preocupar...
Lula parece realmente estar acima do bem e do mal, como que portador de um poder divino ou infernal, à depender do analista. Suas mãos sempre meladas de esterco, que aos olhos turvos do povo transmudam-se como em uma ilusão de ótica em lindas flores adubadas de primavera. A ignorância quando se depara em frente a espelhos faz refletir mais ignorâncias, daí fazendo surgir uma espécie de salvo conduto, onde a sociedade permite a Lula da Silva transitar livremente entre os esgotos, orientar seus ratos e ainda assim não se sujar, e o pior, cheirar a flores.
A esperança de dias mais ensolarados neste continente esbarra em uma cegueira coletiva dos que não querem, que se somam as dos que não conseguem ver.

Que me perdoem a heresia desta visão social.
Sem mais.

2 comentários:

Rose Sousberg disse...

Obrigada por me brindar com sua enorme competência. Suas crônicas e seus artigos são geniais. Dá prazer de ler cada palavra. Cada uma delas traz uma mensagem direta ou indireta que faz refletir.
Amo seus textos!!!

Mário Hidalgo disse...

Não o conhecia e passo a apresentá-lo aos demais, na forma que o conhecimento geral JAMAIS seja enterrado pela Ignorância falida de alguns. Parabéns!